Bahia registra alto índice de localização de desaparecidos

Publicado: 03/12/2010 Última atualização: 05/10/2026 às 14:07

Com um índice médio de localização de pessoas desaparecidas da ordem de 85%, segundo levantamento estatístico da Coordenação de Polícia Interestadual (Polinter), a Bahia é um dos estados que obtêm melhores resultados, tendo sido encontrados, entre janeiro e outubro deste ano, 516 cidadãos em diversos municípios. Neste período foram registrados, no Setor de Desaparecidos da Polinter, 535 casos.

Segundo o delegado Joelson Reis, coordenador da Polinter, a maioria dos desaparecimentos é voluntário, caracterizando-se em muitos casos como abandono do lar. Os motivos variam de acordo com a faixa etária e se devem muitas vezes a pequenas desavenças domésticas facilmente contornáveis, à impossibilidade de convivência e até a violência intrafamiliar.

As estatísticas apontam ainda que o sumiço de adultos ocorre, na maioria das vezes, em razão das dívidas contraídas no comércio e no mercado financeiro. No caso das mulheres adulta, existe ainda o fator violência doméstica, tendo o parceiro como agressor. Os idosos geralmente desaparecem devido à degeneração da memória e as crianças por problemas de falta de expressão - não sabem como informar porque estão perdidas e indicar como algum parente pode ser encontrado.

Os adolescentes costumam fugir de casa por maus tratos, casamento desfeito dos pais e também em busca de liberdade. A Polinter já constatou que o número de jovens desaparecidos aumenta nos finais de ano, quando tem início o ciclo de festas populares na Bahia. Depois do Carnaval, esses números tendem a cair, pois muitos adolescentes retornam para suas casas.

No Setor de Desaparecidos da Polinter atuam uma delegada, uma escrivã e uma equipe de policiais, que trabalham diuturnamente registrando e investigando as ocorrências encaminhadas por parentes de pessoas que sumiram. O atendimento funciona 24 horas. A sede da Polinter fica aos fundos do prédio da Polícia Civil, na Piedade.

Procedimento
O trabalho investigativo tem início após os familiares das pessoas tidas como desaparecidas serem ouvidas na Polinter, onde profissionais buscam reunir o máximo de informações de modo a possibilitar sua localização. “Esperar 24 horas para registrar um desaparecimento é um mito. Mantemos um plantão em nossa sede para que a qualquer hora do dia ou da noite o fato possa ser comunicado rapidamente à polícia”, explica o delegado Joelson Reis. Quando a investigação aponta algum indício de crime, o caso é encaminhado à delegacia da área para que seja feita a instauração de um inquérito policial.

Omitir dados prejudica a procura
Ao registrar uma ocorrência na Polinter não se deve omitir nenhuma informação que possa ajudar a estabelecer um quadro claro do comportamento da pessoa desaparecida. “O envolvimento dela em atividades delituosas, a exemplo de tráfico e uso de drogas, problemas mentais e familiares, entre outros, devem ser comunicados à polícia”, orienta o delegado.

A família ainda pode ajudar à polícia a agilizar a busca, fazendo um rastreamento em diversas instituições públicas como o Instituto Médico Legal (IML, hospitais, albergues e praças da cidade antes de se dirigir à Polinter. O Setor de Desaparecidos dispõe dos telefones (71) 3116- 6573 e (71) 3116-6591.