A oficialização da transferência das peças ligadas às religiões de matriz africana do Museu Estácio de Lima para o Museu Afro-Brasileiro (Mafro) foi um ato de celebração para o público que participou da solenidade, terça-feira (21), na Faculdade de Medicina, no Terreiro de Jesus.
Trata-se de um acervo de quase 200 peças, que o Mafro passa a abrigar por decisão de uma comissão intergovernamental composta por representantes da Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi), Universidade Federal da Bahia (Ufba), autoridades religiosas e órgãos estaduais e federais.
“Alegria, alegria, alegria. Esta foi a expressão que mais ouvi das pessoas em relação à conclusão desse processo, nesse pequeno ato público que não traduz a grandeza histórica desse momento”, afirmou a titular da Sepromi, Luiza Bairros, antevendo a possibilidade de ampliação da política para outros estados do país, agora que o seu nome foi confirmado pela presidenta Dilma Rousseff para assumir a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).
Para o presidente da Fundação Pedro Calmon e integrante da comissão, Ubiratan Castro, a mudança de espaço equivale a um pedido de desculpas ao povo-de-santo. “O ato de hoje merece entrar para a história da Bahia, pois objetos de culto foram sequestrados durante séculos”.
A professora Yeda Pessoa de Castro se colocou como atuante, há quase 30 anos, na tentativa de retirar do Estácio de Lima – museu do Departamento de Polícia Técnica (DPT) –, para dar ao acervo uma destinação adequada.
A transferência para o Mafro é parte das decisões da comissão intergovernamental, que assinou ontem um termo de depósito das peças que, segundo o museólogo Marcelo Cunha, estão devidamente embaladas e em quarentena, até passarem por um processo de limpeza. “Essas medidas visam evitar a contaminação do acervo do museu por fungos e bactérias”.
A comissão tem ainda a missão de catalogar e expor o acervo, que tem cerca de 200 peças. O processo será viabilizado a partir da assinatura de mais dois termos: de doação e de cooperação técnica, a serem firmados entre o Estado e a Federação, através da Sepromi e da Ufba.