Até o dia 15 deste mês, o município de Ruy Barbosa, no Território de Identidade Piemonte do Paraguaçu, sedia o 1º Movimento pela Inovação e Qualificação (MIQ), com as atividades realizadas na Escola Pedreira, onde são oferecidos cursos de capacitação, e na Praça Amitas Brito, que abriga dois ônibus com monitores para repassar dicas de saúde e fazer demonstrações científicas e tecnológicas.
Em apenas quatro dias, mais de mil estudantes, entre crianças e adolescentes, compareceram à praça para ver as novidades levadas pelos ônibus ‘Ciência Móvel’, do Museu de Ciência e Tecnologia (C&T) da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), e do ‘Ciência na Estrada: Educação e Cidadania’, da Fundação Instituto Osvaldo Cruz (Fiocruz).
Aproximadamente 500 pessoas acima de 16 anos participam dos cursos gratuitos de ‘Atendimento ao Público em Organizações Públicas e Privadas’, ‘Pedras e Mosaicos’, ‘Desenvolvimento de Equipes para Vendas’, ‘Empreendedorismo e Associativismo’, ‘Motivações para o Trabalho’ e o de ‘Chefia e Liderança’.
A chefe de escritório da Pedreira Escola, Railda de Oliveira, acredita que a grande procura pelos cursos pode estar associada à divulgação. “Colocamos carros de som nas ruas, inserções em rádios. A maioria das inscrições foi feita aqui na Pedreira, mas nossa equipe também chegou às casas das pessoas que moram mais longe e não poderiam vir se inscrever”.
A escolha de Ruy Barbosa, que fica a 326 quilômetros de Salvador, para sediar o MIQ, segundo o secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado, Feliciano Tavares Monteiro, foi por uma razão estratégica. “O município nos interessa por ser uma cidade central do estado, na região do semiárido. A decisão segue a política estadual de descentralizar as ações de ciência e capacitação”.
Empolgação dos estudantes
Após conhecer as funções dos principais órgãos do corpo humano e conferir experimentos curiosos, o estudante Mateus dos Santos, 9 anos, ficou empolgado com o volume de informações e novidades do ônibus do Museu C&T. “Eu achei legal o porco invisível, que fica de cabeça pra baixo e não dá pra pegar. Também gostei do negócio que bota a mão e arrepia o cabelo”.
No ônibus da Fiocruz, os jovens recebem informações sobre os cuidados que devem ser tomados contra parasitas, a exemplo dos vermes. Para isso são utilizados equipamentos dinâmicos e de última geração como microscópios que ultrapassam os limites da visão humana e ampliam a noção sobre as precauções que precisam ser tomadas quando o assunto é micro-organismos.
“Aprendi muita coisa. Nossas mãos nem sempre estão limpas. Às vezes, quando a gente menos espera, tem bactérias, micróbios. Por isso, não devemos roer as unhas e não pegar os alimentos com as mãos sem lavar”, disse a estudante Cinara Santos. Os trabalhos da Fiocruz estão focados na área de educação e saúde. A fundação atua no ramo de pesquisas na área de saúde pública com a produção de vacinas e pesquisas de ponta.
Uma das coordenadoras do Ciência na Estrada, Eline Deccache Maia, explica que os monitores da ação itinerante utilizam uma linguagem simples para que as comunidades visitadas assimilem melhor. “Não utilizamos jargões científicos quando falamos às comunidades, em especial, do interior. São informações importantes para a prevenção de doenças. Estamos trabalhando em Ruy Barbosa com as prevenções a doenças parasitárias porque aqui é uma região endêmica de verminoses e doença de chagas”.
Parcerias
De acordo com o secretário Feliciano Tavares, o MIC é um dos reflexos da Mobilização Empresarial para a Inovação (MEI), realizado pelo governo federal em parceria com a Confederação Nacional das Indústrias (CNI). Na Bahia, o movimento conta com as parcerias da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Sebrae, Clube de Diretores Lojistas e Pedreira Escola.
Sobre as vantagens de popularizar a ciência, Monteiro foi enfático. “As tecnologias são desenvolvidas para que sejam utilizadas pela população, pelo maior número de pessoas. É isso que o Estado, por meio da Secti, está buscando. Reforçar esses esforços na direção de uma área central da Bahia. Ali, já temos um equipamento muito bom e que merece destaque”, disse o secretário, referindo-se à escola.
Para o vendedor Nildo da Cruz Santos, 23 anos, o curso foi uma oportunidade de renovar os conhecimentos. “Aprendemos ainda mais. Fiz uma reciclagem. Hoje, o mercado exige uma evolução dos profissionais a cada dia”.
A dona de casa Laisa Vermon Queiroz foi outra moradora de Ruy Barbosa que não quis perder a oportunidade. Para incrementar a renda familiar, Laisa revende cosméticos e roupas. Após a capacitação, ela espera aumentar os ganhos com a atividade autônoma. “Está sendo gratificante me aperfeiçoar para trabalhar. Aprendi a forma correta de me expressar e tratar meus clientes. Agora sim, meu negócio vai ter lucros, além do que eu já tenho”.
A servidora pública municipal, Ana Carolina Sampaio, participou do curso voltado ao atendimento ao público. “Aprendi que a gente nunca sabe quem está atendendo. Então, a gente tem que manter um perfil de atendimento padrão, indistintamente”.