Os blocos que integram o Carnaval Ouro Negro, programa de fomento da Secretaria de Cultura do Estado (Secult) voltado para as entidades de matriz africana, arrastaram uma multidão na Quinta do Samba na Avenida até o amanhecer desta sexta-feira (4), no Circuito Osmar (Campo Grande).
Já passava da meia-noite quando o Bloco da Capoeira, o primeiro a desfilar na passarela, trouxe suas cores, em alas repletas de dançarinos e capoeiristas. Sob o comando do cantor Tonho Matéria, o bloco animou os foliões com o samba reggae.
Entre os destaques, a cabeleireira, Negra Jhô, uma das figuras mais marcantes do Centro Histórico de Salvador, chamava atenção com sua fantasia branca, inspirada em Oxalá. “É para pedir paz ao Carnaval e ao mundo”, explicou a empreendedora da estética afro.
A beleza das mulheres enfeitou a noite de Carnaval do circuito mais tradicional. Na pipoca, como foliões dos blocos ou em cima do trio, elas esbanjaram charme e criatividade nas vestimentas. Animando o bloco Alerta Geral, Mariene de Castro trouxe a alegria contagiante do samba de roda do Recôncavo, tema do bloco que completou 16 carnavais este ano. Em cima do trio, além de Mariene, o Grupo baiano Fora da Mídia e os cariocas do Fundo de Quintal, com três décadas de samba. Os integrantes do Alerta colocavam o chapéu panamá branco para cima e cantavam em coro os sambas tradicionais, seja da Bahia ou do Rio de Janeiro.
Bahia e Rio
A diferença na batida dos dois estados que mais divulgam o samba ficou nítido na performance de outras duas mulheres. A cantora Juliana Ribeiro, que puxou o bloco Amor e Paixão, cantou sambas de letras simples, compasso mais acelerado e ritmo envolvente. A carioca Fabrícia Amaral, vocalista da banda Movimento, preferiu os hits românticos, feitos para ser cantada para alguém.
O bloco do compositor Nelson Rufino fez bonito na avenida. Ainda teve o grupo Revelação, do Rio de Janeiro, puxando o bloco Proibido Proibir e o bloco afro Bankoma, de Lauro de Freitas, com o tema Muxima Ua Uemba, homenageando as mulheres guerreiras “que lutam sem perder a vaidade”, como explicou a dançarina do bloco, Jessica Catarina, 16 anos, há dez como foliã do Bankoma.
É o Tchan
Os foliões também aguardavam o desfile do bloco Pagode Total, que marcou o retorno da dupla Beto Jamaica e Compadre Washington ao grupo É o Tchan. Os fãs que sentiam saudade dos cantores esperavam com ansiedade a apresentação do grupo. Foi o caso dos amigos Márcio Rocha, 22, e Rafael de Jesus, 28, que vieram do bairro de Dom Avelar para prestigiar o retorno dos cantores. “Eles são demais, só vim aqui para curtir as músicas do É o Tchan que adoro”, afirmou o motorista Rafael.
Bastou os primeiros acordes da banda ainda em frente à antiga Morada dos Cardeais, na entrada do Corredor da Vitória, para que todos caíssem no samba. Em rodas improvisadas ou executando as coreografias solicitadas pela música, o público que lotou o Campo Grande matou a saudade dos velhos tempos da dupla, quando a banda ainda se chamava Gerasamba e popularizou sambas de roda. Acompanhe as notícias do Carnaval e a transmissão pela internet.