Especialistas apresentam sugestões em defesa do 2 de Julho

Publicado: 14/07/2011 Última atualização: 05/10/2026 às 14:07

Especialistas que participaram do encontro mensal ‘Conversando sobre Patrimônio’, promovido pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), apresentaram sugestões sobre educação e mais ações de planejamento urbano por parte da Prefeitura de Salvador, para melhorar e preservar a festa do 2 de Julho.

Realizado na última quarta-feira (13), o debate aconteceu no auditório do Conselho Estadual de Cultura (CEC) e contou com presença de professores, conselheiros de cultura, arquitetos, antropólogos, além de interessados no Cortejo 2 de Julho e nos bairros da Soledade e Lapinha, dois dos trechos da cidade por onde passa a manifestação cívica e cultural.

“Nós só valorizamos o que conhecemos e a educação nas escolas municipais, estaduais e privadas sobre o 2 de Julho é muito importante para isso. É fundamental manter nossas referências culturais e a sensação de pertencimento através dessas manifestações”, afirmou a mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), Mariely Santana, palestrante e integrante da mesa no debate.

“É preciso se determinar políticas de ensino para discutir a importância do 2 de Julho em escolas públicas e privadas”, complementou Luiz Cardoso, doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Ufba e coordenador de Diagnóstico para a Soledade.

O antropólogo Ordep Serra afirmou que “não há planejamento urbano na cidade de Salvador, ação fundamental para que essas manifestações culturais ocorram adequadamente, sejam respeitadas e preservadas”. Estiveram também presentes e refletindo sobre a festa, os conselheiros de cultura Lia Robatto, Araken Galvão Sampaio, Paulo Ormindo de Azevedo e Elisio Pitta e dom Gregório, abade do Mosteiro de São Bento.

Patrimônio cultural

O Cortejo 2 de Julho é oficialmente registrado como Patrimônio Cultural da Bahia. Este ano o cortejo completou 188 anos fazendo a representação da entrada triunfal dos caboclos, índios, brasileiros e até portugueses abrasileirados ocorrida no dia 2 de julho de 1823, consolidando a independência do Brasil. Para o historiador Luís Henrique Dias Tavares, o 2 de julho de 1823 reuniu "um exército de dezenas de cidades, do Sertão e da Chapada Diamantina, formando enorme contingente que participou da luta”, comenta o especialista.

O encontro sobre o 2 de Julho no Conselho Estadual de Cultura integrou o projeto ‘Conversando sobre Patrimônio’ criado pelo Ipac e acontece mensalmente, abordando temáticas relacionadas aos bens culturais baianos.

As próximas edições vão abordar ‘Sistema Estadual de Patrimônio da Bahia’, ‘A experiência do ICMS Cultural de Minas Gerais’, ‘A preservação de sítios urbanos e poligonais de salvaguarda na Bahia’, ‘Irmandades e Patrimônio’, as ‘Festas Populares e a Festa de Santa Bárbara’, entre outros.

As palestras são abertas ao público até a lotação máxima do auditório do CEC. O Conselho Estadual de Cultura fica no anexo do Palácio da Aclamação, na Avenida 7 de Setembro, n° 1330, Campo Grande. Mais informações via telefones (71) 3117-6491 e 3117-6492, ou endereço eletrônico astec.ipac@gmail.com. Confira ainda o site do Ipac.