Durante participação no Seminário sobre Manejo Adequado na Destruição de Soqueiras e Tigueras de Algodão, na cidade de Luís Eduardo Magalhães, o secretário estadual da Agricultura, Eduardo Salles, lembrou aos produtores que “as soqueiras têm que ser eliminadas imediatamente após a colheita do algodão”.
O evento foi organizado pela Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), em parceria com a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), e foi realizado, na última sexta-feira, na Fundação Bahia, na sede do município.
Na oportunidade, o secretário afirmou que quem não adotar o procedimento estará colocando em risco as propriedades vizinhas. “Nós vamos agir com seriedade”, advertindo que os produtores que não cumprirem a legislação fitossanitária serão multados e poderão ficar de fora do Proalba, programa do governo de incentivo à cultura do algodão.
Contra o bicudo
A medida tem por objetivo evitar que o bicudo continue a se reproduzir e com isso mantenha um nível populacional capaz de provocar danos à lavoura de algodão no ano seguinte. “Se as soqueiras forem destruídas corretamente, o produtor estará se prevenindo contra a praga”, explica José Lima Barros, coordenador do Programa do Bicudo da Abapa.
O algodoeiro tem ciclo perene, ou seja, continua vegetando após a frutificação. A manutenção das plantas no campo depois da colheita permite que elas produzam novas floradas e assim hospedem o bicudo, mantendo alto o índice populacional da praga na entressafra. A interrupção da multiplicação da praga exige ausência de algodoeiros vivos na entressafra por um período superior a 60 dias.
A não destruição dos restos culturais do algodão leva a infestações incontroláveis ou exigem do agricultor inúmeras pulverizações, elevando os custos de produção ou inviabilizando o cultivo do algodão na região. O seminário orientou aos participantes sobre a legislação e os métodos de manejo adequado da lavoura algodoeira, para interromper a proliferação do bicudo, praga com elevado potencial de destruição, do início ao final da cultura, e que, por esta razão, é motivo de preocupação constante para os produtores da região oeste e sudoeste da Bahia.
Prevenção
O coordenador José Lima Barros disse que o trabalho preventivo realizado junto aos produtores da região fez com que houvesse uma diminuição do nível de infestação do bicudo. “Na safra 2009/2010, com 60 a 70 dias após a emergência, a cultura já apresentava ataque do bicudo. Na safra atual a infestação inicial passou para 110 a 130 dias após emergência da cultura”.
Segundo ele, o trabalho preventivo de controle do bicudo e outras pragas do algodão, executado pela Abapa, com apoio do Fundearo e da Adab, nas regiões oeste e sudoeste da Bahia, é feito por uma equipe de técnicos agrícolas que realizam visitas sistemáticas em todas as áreas de algodão, usinas algodoeiras, áreas de rotação e estradas da região.
Por meio deste monitoramento os produtores recebem orientação sobre as melhores estratégias para o controle do bicudo, além de informações sobre prazos para plantio, destruição de soqueira, tigueras e transporte correto de algodão e carroço.