As relações internacionais estão sendo discutidas durante a Segunda Semana Baiana de Relações Internacionais, que prossegue até quarta-feira (27), no campus da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Organizado pelo Laboratório de Análise Política Mundial (Labmundo) da universidade, o evento reúne cerca de 150 pessoas, entre estudantes, profissionais e técnicos do Governo do Estado, que participam de palestras e mesas redondas com convidados do México, França, Argentina, Espanha e dos estados de Pernambuco, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
A estudante de direito, Rafaela Seixas, 24 anos, disse que seguirá a carreira diplomática e, por isso, estuda a chamada Cooperação Sul-Sul. Ela justifica a escolha afirmando que “a diplomacia brasileira é inovadora e não quer fazer acordos de cooperação somente com os países do hemisfério norte. O Brasil está investindo nisso, tem o Fórum da Índia, do Brasil e da África do Sul, que tratam de muitas questões de parceria tecnológica, de transferência de conhecimento”.
Segundo o secretário das Relações Internacionais e da Agenda Bahia, Fernando Schmidt, a Cooperação Sul–Sul é um dos focos de atuação da Serinter que busca aproximar o estado dos diversos blocos econômicos e políticos dos quais o Brasil faz parte, tais como o Mercosul, o Unasul (União de Nações Sul-Americanas), o Brics (Brasil, Rússia, Índia e Chica) e o Ibas (Índia, Brasil e África do Sul). “A intenção é atender demandas locais, em especial nas áreas de governança, trabalho decente, emprego e renda, meio ambiente, esportes, turismo e cultura, ciência e tecnologia, social, saúde, agronegócio, indústria e comércio”.
Exemplos
Como exemplos da cooperação Sul-Sul desenvolvida pela Bahia, Schmidt citou a cooperação com a República Dominicana para exportar a tecnologia do Serviço de Intermediação para o Trabalho (Sinebahia) e do Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC). “Com os países africanos São Tomé e Príncipe estamos exportando o conhecimento na área de gestão de águas. Também negociamos com o Benin para repassar conhecimento na área da agricultura familiar, e com a Bolívia para transmitir a tecnologia do Todos pela Alfabetização (Topa) e do Sinebahia”.
2ª Semana
O seminário tem como tema ‘Cooperação e Conflito nas Relações Internacionais’. “Um dos objetivos do Labmundo é tratar do mundo, mas também com uma visão a partir de uma realidade local”, afirmou a coordenadora do Labmundo, Elsa Sousa Kraychete.
Para ela, a Bahia sempre esteve mais relacionada ao mercado internacional via exportação de commodities. “Eu acho que esta é uma situação que não pode permanecer. Nós temos que aprofundar a industrialização e o beneficiamento destes produtos, agregar valor para gerar empregos aqui no nosso estado e, assim pensar melhor uma forma de nos relacionarmos com outros países e outras regiões. Isso vai ser discutido aqui também”.
Para o secretário Fernando Schmidt, a Segunda Semana Baiana das Relações Internacionais vem em um bom momento, quando uma série de mudanças estão ocorrendo no mundo e também porque o governador Jaques Wagner decidiu criar uma Secretaria de Relações Internacionais.
“A nossa ideia é fazer com que isso não fique como um nicho dentro do governo, mas interaja fortemente com a sociedade, com a academia, com os sindicatos, empresários, no sentido de buscar as relações internacionais subfederativas entre o mundo e a Bahia e a cooperação internacional também neste nível, que muito poderá ajudar a trazer novos e bons investimentos para a nossa terra”, enfatizou Schmidt.