Índios de dez etnias publicam livro pelo edital do Ipac

Publicado: 30/08/2011 Última atualização: 05/10/2026 às 14:07

A organização não-governamental Thydêwá finalizou o livro ‘Somos Patrimônio - índios na visão dos índios’, editado com a participação de 40 indígenas de 10 etnias distintas. São 64 páginas com textos, desenhos e fotos relacionadas ao patrimônio indígena e tiragem inicial de mil exemplares. Os participantes integram as comunidades de cinco estados brasileiros, sendo a maior parte da Bahia.

“A Thydêwá trabalha com os índios há 10 anos, promovendo e valorizando a diversidade cultural e a cultura da paz”, explica o presidente da ONG, Sebastián Gerlic. Os R$ 20 mil destinados para a edição do livro foram oriundos do Fundo de Cultura, via editais do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), autarquia da Secretaria de Cultura do Estado (Secult).

“Os editais apoiam hoje 72 projetos da sociedade civil em diversos municípios baianos, contemplando iniciativas de educação patrimonial, inventários e registros de bens culturais, além da difusão e dinamização de patrimônios”, diz o coordenador de Editais do órgão, Layno Pedra.

Dentre os projetos estão cursos, seminários, palestras, oficinas, elaboração de cartilhas, ações culturais, estudos, pesquisas e levantamentos de informações, publicações de livros, catálogos, elaboração de site, CD-ROM e DVD. Também eventos que abordem bens culturais, a exemplo de espetáculos teatrais e musicais, exposições e mostras.

Segundo Pedra, as ações propiciam fortalecimento da identidade coletiva, sistematização e disponibilização da memória cultural, mobilização social e divulgação de acervos. Ele destaca ainda a pluralidade, que estimula o reconhecimento social dos bens culturais e, consequentemente, a possibilidade do desenvolvimento sustentável nas localidades que sediam as iniciativas.

O livro é resultado dos dez anos de trabalho da ONG, sendo a 16ª edição da coleção. A entidade já recebeu reconhecimentos como os prêmios Rodrigo Melo Franco 2004 do Iphan/MinC, o de Direitos Humanos 2007, o Andrés Bello 2008 e o Mídias Livres 2010.

“Trabalhamos na perspectiva de valorizar a diversidade, de pensar o patrimônio como algo vivo e pertencente a todos nós”, afirma Sebastián Gerlic. Os livros estão sendo entregues nas aldeias, faculdades, universidades e entidades culturais. E, segundo Gerlic a receptividade nas escolas também tem sido satisfatória.

Thydêwá

A ONG iniciou suas atividades no ano 2000, com o compromisso de várias pessoas, vindas de diferentes culturas e conhecimentos, de promover a consciência planetária e realizar ações em favor de toda vida, da ‘mãe terra’. Com trabalhos em aldeias e escolas em diversos estados como Bahia, Alagoas, Pernambuco e Paraíba, a ONG, visa por meio o projeto ‘indígenas nas salas’, o intercâmbio entre indígenas e a sociedade em geral.

Outros projetos também integram a Thydêwá como ‘Indios Lendo’, criado em 2003/2004, de incentivo à leitura e conhecimento de novas experiências. Tem ainda o livro ‘Cantando as Culturas Indígenas’(2004/2005), onde 3.500 crianças das comunidades Pataxó Hâhãhãe, Xucuru-Kariri, Kariri-Xocó, Pankararú, Tumbalalá, Tupinambá e Truká escrevem por meio dos cantos e danças sagradas.