O velejador baiano Kan Chuh, de 50 anos, é o único representante brasileiro na regata Charente-Maritime/Bahia Transat 6.50, que tem previsão de chegada na Bahia no final deste mês. Kan, que já foi campeão da Semana de Vela de Ilhabela, uma das mais tradicionais competições de Vela da América Latina, vem enfrentando diversas dificuldades durante o trajeto. Ele atravessa o Atlântico com um barco, o VMAX, do tamanho de um carro, sem banheiro, sem cama, pouca água doce, dormindo durante a noite por períodos de 30 minutos.
“Desânimo, cansaço, raiva, medo, preocupação e depressão são sentimentos recorrentes. Mas também vêm acompanhados da sensação de conquista, de vitória, de ter feito algo um pouco além da minha capacidade. É difícil de descrever tudo que aconteceu na preparação de logística, trabalho, saúde, imprevistos, dinheiro, viagens, família, vida pessoal e os detalhes dos acertos e erros”, disse Kan Chuh, antes da largada, no dia 25 de setembro passado, em La Rochelle, na França.
A vitória, para ele, já estará no fato de finalizar a prova. “Estarei muito feliz só de concluir, mesmo que seja em último, mas quero chegar em casa bem, na minha Salvador. Se puder chegar entre os 30 primeiros, já me sentirei muito honrado”, afirmou.
E ele terminou a primeira etapa da regata, até Funchal, em Portugal, no dia 4 deste mês, em 35º lugar entre os 45 competidores. Segundo Kan, a temperatura nos dias desta primeira etapa alternou entre 20 e 30 graus, com ventos variáveis em um regime de alta pressão por todo o percurso. “Foi um teste de tortura chinesa pesada (teste de paciência). Na largada, fui para o lado certo e fiquei entre os 20 primeiros da classe série. Depois, na indecisão entre colocar o balão grande ou o geneaker (code-0 de enrolar), em 10 minutinhos, já fiquei entre os cinco últimos. Mas isso era apenas as 5 primeiras milhas de 1.140 milhas. No final da primeira etapa, o resultado ficou até não muito ruim, pois acabei em 35/45 e apenas a 24 horas de diferença para o primeiro colocado. No quinto dia, eu estava 120 milhas atrás e andando a 2 nós por hora e faltavam 700 milhas, achava que ia chegar uns 3 a 4 dias depois do primeiro colocado”, conta Kan.
Charente-Maritime/Bahia Transat 6.50
A Bahia recebe a 17ª edição da Charente-Maritime/Bahia Transat. As duas edições anteriores da competição, que já tem 34 anos de existência, foram finalizadas na capital baiana. A largada aconteceu em La Rochelle, na França, e a primeira etapa foi encerrada em Funchal, em Portugal. A etapa final é justamente de Funchal à Bahia.
A Charente-Maritime é considerada a mais solitária das regatas que cruzam o Oceano Atlântico, pois os competidores enfrentam todos os desafios, seja a bordo das embarcações de série ou dos protótipos, sozinhos. Sem qualquer ajuda para enfrentar sol, sede, fome, sono e solidão. São seres humanos em barcos minúsculos enfrentando a imensidão do oceano.
O francês Sébastien Rogues, com o seu Eole Generation, venceu a primeira etapa da regata, com chegada em Funchal, na categoria protótipos, enquanto o também francês Benoit Mariette, no Odalys Vacances, venceu nos barcos de Série. Na edição passada, em 2009, o vencedor geral da categoria Protótipos foi o francês Thomas Ruyant. Na categoria Série, quem venceu foi o português Francisco Lobato.
Tudo começou quando o inglês Bob Salmon, em 1977, lançou um desafio para outros navegadores para atravessar o Oceano Atlântico com barcos de no máximo 6,50 metros. Daniel Gilard foi o primeiro vencedor.
Regatas internacionais na Bahia
Desde 2007, o Terminal Náutico da Bahia, que é administrado pelo Governo do Estado, por meio da Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), recebeu dez regatas internacionais, além de duas edições do Cruzeiro Costa Leste (evento internacional que aconteceu em 2008 e 2010).
Em 2007, a Bahia recebeu a “Clipper Race”, a "Mini Transat 6.50”, a “Transat Jacques Vabre” e a "Rally des iles du Soleil”. Em 2008, o Estado recebeu, novamente, o "Rally des iles du Soleil”.
O “Rally des iles du Soleil” voltou à Bahia em 2009. Ano em que o Terminal recebeu também a “Regata Heineken Cape to Bahia 2009” e a “Charente-Maritime/Bahia Transat 6.50”, que em 2007 era conhecida como Mini Transat 6.50. A nona regata chegou ainda em 2010. Novamente, o “Rally des iles du Soleil”.
Em 2010, a Bahia recebeu, de janeiro a fevereiro, pela primeira vez o Rally Náutico World Arc, uma das maiores regatas de volta ao mundo, contando com quase 20 embarcações, que chegaram em Salvador depois de cruzar os três oceanos, passando por Saint Lucia, Panamá, Equador, Polinésia Francesa, Ilha Cook, Niue, Tonga, Fiji, Vanuatu, Austrália, Indonésia, Mauritius, Reunion, África do Sul, Santa Helena, Brasil e Granada.
A 11ª regata internacional do período é exatamente a “Charente-Maritime/Bahia Transat 6.50”.