O centenário do baiano Giocondo Dias (1913-1987), comunista que teve o mandato de deputado cassado durante o governo do presidente Eurico Dutra (1946 a 1951), foi marcado por uma sessão comemorativa na Assembléia Legislativa da Bahia, nesta quarta-feira (20). O ato, com a participação do governador Jaques Wagner, deu início a uma série de devoluções simbólicas de mandatos cassados, principalmente no período da Ditadura Civil-Militar (1964 a 1985).
Não devemos ter medo de revisitar a História. Hoje, não há nenhuma tentativa de revanchismo, mas há uma tentativa de esclarecimento porque a caminhada brasileira está cheia de altos e baixos, de democracia intercalada por golpes militares. Giocondo foi um homem de uma dignidade incrível, que se moveu por idéias e ideais, então a Comissão da Verdade e toda esta Casa se engrandecem por esse ato a um brasileiro que lutava para fazer a Bahia e o Brasil cada vez melhor, disse governador.
Para Antonio Eduardo Tavares Dias, filho de Giocondo, o ato é um reconhecimento. É um reconhecimento válido, merecido e que nós agradecemos. Resgata a vida de um homem que lutou muito e infelizmente teve podada sua participação legal, mas que se tivesse que começar, faria tudo novamente.
Luta
Conhecido como Cabo Vermelho, Giocondo foi um militante aguerrido e teve, entre outras ações, destaque na luta pelo livre exercício dos cultos religiosos. É um dia especial pelo centenário e por homenagear alguém que viveu quase 40 anos na clandestinidade e na luta pelo povo. Nós vamos fazer também a devolução de outros mandatos cassados na ditadura, 13 deputados, com uma grande sessão que merece ser comemorada, afirma deputado e presidente da Comissão Especial da Verdade, Marcelino Galo, que propôs a solenidade.
Também terão seus mandatos reconhecidos pela Assembléia Legislativa os deputados Diógenes Alves, Ênio Mendes, Sebastião Nery, Wilton Valença da Silva, Hamilton Saback, Luiz Sampaio, Marcelo Duarte, Osório Villas Boas, Aristeu Nogueira, Luiz Leal, Octávio Rolim, Oldack Neves e Padre Palmeira.
Familiares e amigos de Giocondo, entre outras autoridades, também participaram da solenidade. Na sessão foi lançado o livro Giocondo Dias Uma Vida na Clandestinidade, de Ivan Alves Filho.