Embaixador espanhol elogia implantação do programa Cisternas

Publicado: 06/12/2010 Última atualização: 05/10/2026 às 14:07

O embaixador da Espanha, Carlos Alonso Zaldivar, em visita ao município de Araci, no semiárido baiano, na última sexta-feira (3), se mostrou contente com o programa Cisternas, implantado em localidades rurais, como Jaconias e Gibão.

“O motivo da visita é olhar a aplicação do Cisternas, que estamos fazendo com o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e a Cooperação Espanhola e vê-lo em terreno, não só no papel”, assegurou o embaixador.

A missão espanhola fez parte do encontro entre os parceiros do programa, realizado no Hotel Sol Barra, em Salvador, e que foi aberto na quinta-feira (2) com a assinatura de novo termo de parceria com a Associação Programa Um Milhão de Cisternas (AP1MC), da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), e a divulgação das parcerias realizadas no âmbito da Cooperação Espanhola.

Os dados conquistados e os desafios do programa foram analisados até sexta-feira, com painéis de discussão exibindo temas como controle social, formação de gestores e incentivo à inovação de tecnologias sociais. Acompanhado da secretária estadual de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, Arany Santana, do secretário nacional de Segurança Alimentar, Crispim Moreira, e do coordenador-geral da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento, Jesús Molina, Zaldivar conheceu como funciona o sistema de captação de água, qual a importância para os beneficiários do programa e como as cisternas têm contribuído para diminuir os índices de insegurança alimentar e da pobreza na Bahia.

Para o coordenador da agência espanhola, Jesús Molina, é de suma importância essa parceria com o Brasil. “Para nós, é uma honra trabalhar no Brasil, colaborando com as instituições no desenvolvimento dos setores menos favorecidos da população. Neste sentido, estamos trabalhando neste projeto na região do sertão para prover de água potável, junto com o Ministério de Desenvolvimento Social, as famílias que carecem do acesso a este recurso. A ideia é apoiar o ministério no trabalho que realiza para conseguir que 100% das famílias tenham acesso à água potável”.

Representando a Bahia, Arany Santana comentou a decisão política do presidente Lula de investir em tecnologias sociais de captação e armazenamento de água da chuva, desenvolvidas pela sociedade civil por meio da ASA. Segundo a secretária, isso possibilitou o acesso digno e autônomo à água de qualidade para beber e produzir alimentos no semiárido. “Esta estratégia vincula-se à compreensão do Estado de voltar as suas políticas para aqueles que mais precisam”.

Novas 45 mil unidades

O governo da Bahia, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes), aponta a construção de 45 mil cisternas, sendo que mais de 18 mil foram viabilizadas pela parceria com o MDS e a ASA. O novo desafio da Bahia é a universalização do acesso à água no semiárido, que passa pela construção de mais 21.500 cisternas até 2011 e a implementação de outras tecnologias que ampliem o alcance do programa federal Água para Todos, que já beneficiou mais de 2,5 milhões de baianos.

O embaixador da Espanha falou ainda dos investimentos da parceria do governo do seu país com o Brasil. “É um programa de R$ 100 milhões, pagos em partes iguais, aprovado em 2009 e que entrou em aplicação este ano. A Espanha contribui para a efetivação do direito de todos ao acesso à água e a diminuição da desigualdade”.

Em Araci, os visitantes conheceram um beneficiário do programa, José Raimundo Soares, que mostrou sua horta regada com água da cisterna de produção, comentando sobre o crescimento que teve em sua renda. “Antes da cisterna, eu tinha que carregar água para poder cuidar da minha pequena plantação. Nessa época, eu conseguia lucrar por semana R$ 70, mas hoje, com a cisterna, minha renda dobrou. Hoje, por semana, consigo tirar até R$ 160 vendendo na feira-livre e em mercados da cidade”, disse. José Raimundo tem cinco filhos e sua mulher está no sexto mês de gravidez.

Resultados positivos

O Cisternas vem realizando um conjunto de ações que já apresenta resultados positivos, a exemplo da maior redução da taxa de pobreza do país e a retirada de 1,3 milhão de baianos da situação de insegurança alimentar moderada e grave. “Esses resultados foram possíveis pela parceria que foi estabelecida com o governo federal e com as organizações da sociedade civil. Essa parceria foi fortalecida, sobretudo, na execução do programa”, destacou Arany Santana.

A opção de construir as unidades com a ASA se deve à compreensão de que a cisterna não é simplesmente uma obra de construção civil, mas um mecanismo de acesso à água e promoção da segurança alimentar. “Isso é fundamentalmente um instrumento de mobilização e formação das famílias para a convivência com o semiárido”, explicou a secretária.

Os parceiros do programa são os governos de Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Sergipe, além das ações em conjunto com a ASA, com o Condri e com os programas Um Milhão de Cisternas e Uma Terra e Duas Águas.