A cidade de Jequié, a 365 quilômetros de Salvador, vai sediar desta sexta-feira até o domingo (17 a 19), sempre às 19h, no Centro de Cultura ACM, o 1º Festival de Música Instrumental da Bahia, com ingressos populares ao preço de R$ 2 (inteira) e R$ 1 (meia).
Durante os três dias, estarão se apresentando músicos e compositores locais, regionais, nacionais e internacionais. O evento conta com o apoio da Secretaria de Cultura do Estado (Secult), por intermédio do Fundo de Cultura da Bahia. Além das apresentações musicais, a programação inclui a exposição fotográfica Multimídia, das 16 edições do Festival de Música Instrumental da Bahia realizadas em Salvador.
Conquistar o interior
Esse é o primeiro ano que o festival acontece fora de Salvador. “O Festival Instrumental da Bahia tem três momentos: foi amador na década de 80, se profissionalizou em 2002, passando a receber recursos do Estado, e agora em 2010 queremos conquistar o interior da Bahia. Estamos bastante ansiosos com esse momento”, afirma um dos curadores do festival, Zeca Freitas.
Ainda como parte da programação no interior, serão realizados workshops e máster class gratuitos com temas como manutenção e conservação dos instrumentos musicais, performance e técnicas de improvisação, incentivo à pesquisa do repertório musical, entre outros. Para participar, basta se dirigir ao Centro de Cultura de Jequié, das 10h às 13h.
“Desde a década de 1980, o Festival de Música Instrumental da Bahia tem atuado de forma estratégica para o desenvolvimento da música instrumental no estado”, afirma Gilberto Monte, diretor de Música da Fundação Cultural da Bahia, unidade da Secretaria de Cultura.
Gilberto lembrou que após 16 edições na capital, o Festival chega ao interior da Bahia, estimulando a produção musical de cada localidade e homenageando uma de nossas mais importantes expressões musicais: as Filarmônicas da Bahia.
“Descentralização e interiorização de ações sempre foram uma premissa desta Secretaria. Muito nos engrandece sermos parceiros de um projeto tão significativo que finalmente amplia sua ação territorial, propiciando ao público e músicos do interior do estado o acesso à música instrumental”, disse.
História
No fim da década de 70, Salvador vivia em uma intensa atividade de grupos instrumentais e mesmo sem haver uma tradição da área na cidade, o Festival chegou com objetivo de reunir toda essa efervescência. O resultado foram nove edições seguidas do Festival de Música Instrumental da Bahia na década de 80.
Inúmeros instrumentistas e grupos locais se destacaram como a Oficina de Frevos e Dobrados, Grupo Garagem, Raposa Velha, Banda Livre, Sexteto do Beco, Vivaldo Conceição, Corpo e Alma, Grupo Pulsa, Mou Brasil, Andrea Daltro, Rumbaiana, Operanóia, e muitos outros.
Grandes nomes da música instrumental do Brasil participaram do evento, dentre eles Walter Smetak, Armandinho, Hélio Delmiro, Heraldo do Monte, Grupo Pau Brasil, Grupo Alquimia (com Zeca Assumpção e Mauro Senise), Paulo Moura, Raul de Souza, Nivaldo Ornellas, e alguns nomes internacionais como o pianista Jeff Gardner e o flautista e pianista Nicola Stilo.
Amantes da Lira
O Festival está homenageando todas as filarmônicas da Bahia e, em Jequié, elas estarão representadas pela Sociedade Filarmônica Amantes da Lira, fundada em 1949, por Argemiro Teixeira de Melo. Hoje, a banda, com 27 músicos, é conduzida pelo maestro Givaldo Cruz da Conceição, e vai se apresentar na Abertura do Festival (17).
“As filarmônicas são o principal grupo instrumental do interior baiano e elas existem na maior parte das cidades, reunindo pessoas de qualidade que são loucas e apaixonadas por música. As filarmônicas, para mim, são a grande escola, o mais importante centro social, uma verdadeira agremiação musical”, diz o curador Fernando Marinho.