A fachada do imóvel que durante 10 anos originou reclamações de urbanistas, comerciantes e frequentadores do Centro Histórico de Salvador (CHS) por provocar o desequilíbrio arquitetônico-estético da Praça da Sé está sendo refeita pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Estado (Ipac), obra que deverá ser concluída em abril deste ano.
O prédio é resultado da junção dos imóveis de números 26 e 28, localizados no lado Leste da praça, que tinham fachada em vidros pretos, fugindo do contexto histórico local. Todas as outras casas que ladeiam a praça possuem fachadas típicas do final do século 19 e do início do século 20, com janelas e portas altas, gradis e detalhes arquitetônicos e decorativos dessa época. O imóvel em reforma possui cinco pavimentos, 15 metros de altura e nove de largura.
“A ideia foi trabalhar a desmaterialização visual e gradual do edifício para alinhar com a arquitetura da praça e o seu casario”, explica o gerente de Conservação do Ipac, José Carlos Matta, informando que o instituto investiu na obra R$ 761,7 mil.
Para o arquiteto do projeto, Chico Mazzoni, a intervenção constituiu-se na correção de uma interpretação arquitetônica equivocada que pretendeu inserir um exemplo de arquitetura contemporânea em ambiente histórico específico, erro que perdurou por 10 anos. “O objetivo é criar nova imagem do edifício, interpretando a sua história, e a continuidade e rupturas históricas da praça, para formar uma imagem mais unitária e harmoniosa com o entorno”.
A Praça da Sé, urbanizada a partir da década de 1930 e com projeto arquitetônico posterior, em 1999, está inserida na área federal do CHS tombada como bem cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Segundo determina Constituição de 1988 e a legislação municipal, os imóveis dessa área devem ser mantidos por seus proprietários.
A administração do CHS é da Prefeitura Municipal de Salvador, mas como o local é tombado pelo Iphan, o órgão federal passa a ter tutela também nessa parte da capital baiana e, por isso, aprovou a reforma da fachada.
Imóvel antes da recuperação (Foto: Lazaro Menezes)

Imóvel após a recuperação (Foto: Ana Paula Nobre)