Encontro de Artesãos debate estratégias de fomento ao setor

Publicado: 23/03/2011 Última atualização: 05/10/2026 às 14:07

Aproximadamente 400 artesãos de 25 municípios baianos participaram, nesta quarta-feira (23), na Fundação Luis Eduardo Magalhães, do quarto encontro da categoria para discutir alternativas voltadas a aprimorar a gestão de políticas públicas destinadas ao setor e comemorar a dia dedicado a eles (19 de março). O evento foi promovido pelo Instituto Mauá, em parceria com o Sebrae/BA.

“É uma característica do Governo do Estado estabelecer o diálogo permanente com as comunidades e segmentos com os quais nos relacionamos diretamente. Naturalmente, no caso dos artesãos, é preciso ter espaços de troca de opiniões, mas que tenha também esse caráter de reciclagem e de trazer novas informações e perspectivas, aprofundando a relação dos artesãos entre eles e com o próprio Mauá”, disse o secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Nilton Vasconcelos.

Na ocasião, Vasconcelos informou que já manteve contato com a Empresa de Turismo de Salvador (Saltur) para consolidar o projeto que pretende fazer com que o Mercado Modelo se transforme num pólo fornecedor do artesanato produzido na Bahia. E para certificar essas peças legitimamente baianas, com marca própria, o Governo do Estado criará o Selo do Artesanato Baiano.

“O Mercado Modelo é um espaço público, referência turística para o estado e difusor da nossa cultura. Portanto, não podemos mais admitir que comercialize peças não decorrentes da produção artesanal baiana”, afirmou o secretário. Segundo ele, a idéia é que cada peça seja identificada com a sua cidade de origem, o artesão responsável e a referida tipologia. O Instituto Mauá, inclusive, já faz esse levantamento sistemático da produção.

“A importância do Selo é que traga, junto à peça, o valor de autenticidade, evitando que haja duplicação ou cópias e fazendo com que os produtos artesanais sejam reconhecidos lá fora enquanto produto de identidade cultural da Bahia”, disse a diretora geral do Mauá, Emília Almeida.

A proposta do Selo será encaminhada ao Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, com vistas a se tornar projeto-piloto do PAB na Bahia, sob a coordenação do Mauá. O próximo passo é a criação de uma comissão para estabelecer os critérios de definição das peças aptas a receberem a certificação, a exemplo da exigência de ser uma produção baiana, feita por artesãos do estado e atendendo a quesitos de qualidade.

Valorização e divulgação do artesanato

Para os artesãos, o resultado imediato é a ampliação da visibilidade do seu trabalho. “Uma vez que a produção esteja identificada e cada vez mais reconhecida, o artesão ganha com a divulgação que, por si só, já gera um reconhecimento do produto ligado às raízes culturais daquele local onde foi produzido”, explica Emília.

“É com muita satisfação e prazer que faço parte dessa instituição, que nos trata com muito carinho e respeito”, afirmou a representante dos artesãos, Fátima Freitas, em seu discurso na abertura do evento. “Hoje, o Mauá nos ensina a produzir com mais qualidade para que o nosso trabalho seja conhecido e tenha mais vendagem”, enfatizou Vivaldo dos Santos, que trabalha com cestaria e trançado no município de Irará. O presidente da Associação de Auxílio Mútuo dos Oleiros de Maragogipinho, Denisval de Souza, disse que o Mauá é a “representatividade” da categoria.

O IV Encontro de Artesãos da Bahia ainda reuniu palestras sobre a produção artesanal associada ao turismo e artesanato/meio ambiente, apresentação de coral e do grupo artístico Boiada Multicor, do Pelourinho, e o sorteio de cinco exemplares do recém-lançado catálogo ‘Artesanato Baiano - Saberes e Fazeres’, produzido pelo instituto.

Cadastramento

O evento ainda disponibilizou o cadastramento gratuito dos artesãos interessados em se tornar empreendedores individuais, numa iniciativa do Sebrae/BA. “O nosso desafio é tornar a atividade artesanal cada vez mais empreendedora e a primeira providência é se formalizar”, afirmou o superintendente da entidade, Edival Passos. O benefício de aderir ao Sistema Previdenciário foi adquirido desde 2008, beneficiando 18 milhões de brasileiro. Na Bahia, o número de trabalhadores formalizados atingirá a casa dos 100 mil até abril deste ano.