Em dos serviços de excelência do Hospital Geral Roberto Santos - o Centro de Hemorragia Digestiva - foi realizado uma ação inédita no serviço público de saúde da Bahia - uma paciente de 87 anos ingeriu uma cápsula endoscópica para esclarecimento de ocorrência de sangramento digestivo obscuro. O procedimento envolve uma tecnologia refinada, com captura de duas fotos por segundo e transmissão via radiofrequência e ativação magnética, permitindo um diagnóstico mais apurado quando outros exames mais convencionais não indicam a causa de um sangramento.
A cápsula tem onze milímetros de diâmetro e 26 milímetros de comprimento e, para a captura das imagens, há um sistema de iluminação com quatro LEDs, além de controle automático de iluminação e campo de visão mínimo de 156 graus, que permite a visualização de objetos com tamanho mínimo de 0,1 milímetro. O sistema de transmissão é compatível com gravador de imagens tipo Given. Given Imaging é a empresa pioneira no desenvolvimento da cápsula endoscópica, considerada hoje padrão-ouro para a visualização do intestino delgado.
O supervisor do programa de Residência Médica em Gastroendoscopia e coordenador do Serviço de Endoscopia Digestiva do Centro de Hemorragia Digestiva do hospital, Marcos Clarêncio, diz que houve opção pelo procedimento com a cápsula porque a paciente, internada, mais uma vez no HGRS, com sangramento digestivo obscuro, apresentava endoscopia digestiva alta e íleocolonoscopia normais.
"Precisávamos estudar o intestino delgado, e dispomos de dois exames para isso - a enteroscopia de mono ou duplo balão e a cápsula endoscópica. Conseguimos uma cortesia de um fornecedor, que trouxe o gravador das imagens geradas pela cápsula e realizou o exame, que durou cerca de oito horas", explicou Clarêncio.
O procedimento com a cápsula também é indicado, além de casos de sangramento digestivo obscuro, em paciente com diarreia sem etiologia definida, dores abdominais sem outras etiologias e suspeita de doença de Crohn, quando a endoscopia digestiva e a colonoscopia, exames mais tradicionais, não indicam a causa da hemorragia digestiva.
"A cápsula é engolida pelo paciente com um pouco de água. O paciente fica com um receptor de imagens preso à cintura e o programa é depois lido no computador, mostrando todas as imagens do intestino. É um procedimento indolor e simples", relatou Clarêncio. O exame foi realizado na semana passada.