Educação quilombola é destaque na comemoração do Dia da África

Publicado: 25/05/2011 Última atualização: 05/10/2026 às 14:07

As escolas da rede estadual celebraram o Dia da África, nesta quarta-feira (25), com palestras e debate sobre o tema, entre outras atividades. Na Escola Parque – Centro Educacional Carneiro Ribeiro, cerca de 350 educadores de oito escolas participaram do seminário ‘África: Línguas, Literatura e Religiosidade’ e refletiram a respeito de história, religiosidade, cultura e línguas africanas.

Segundo a diretora de Educação e suas Modalidades da Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC), Rosângela Araújo, estas ações buscam garantir as orientações estaduais para a implementação das Diretrizes Nacionais da Educação das Relações Étnico-Raciais. “Embora sejamos um país com 52% da população de afrodescendentes, parece que não temos a África em nossa formação escolar. Estamos tentando recuperar, dentro de uma construção de escola cidadã, estes aportes referenciais de nossa ascendência”.

Para a coordenadora de Articulação de Área da Escola Parque, Marilene Borges, os conteúdos referentes à história e cultura africanas são trabalhados todo o ano. “Nosso principal desafio é despertar a consciência no professor, mostrando a importância deste trabalho e valorizando a cultura negra, para que o estudante se sinta parte integrante da história e tenha sua autoestima elevada”.

Além de representantes das escolas Álvaro Silva, Anísio Teixeira, Professora Candolina, Celina Pinho e Classes I, II, III e IV do Centro Educacional Carneiro Ribeiro, foram convidados estudantes universitários de duas faculdades particulares de Salvador.

A vice-diretora da Classe IV, Joilda Araújo, ressalta que a escola implantou, no ano passado, a disciplina Cultura Afro-Brasileira Ameríndia. “Através da disciplina, conseguimos que o estudante não se deixe discriminar e valorize seu penteado, sua roupa e o dialeto de sua comunidade. A partir daí, ele passa a se impor no mercado de trabalho e nos locais que frequenta”.

Em sua quarta edição, o evento constou das palestras do especialista em História Social e Cultura Afro-Brasileira, Tyrone Santiago, do professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Josemar Araújo, e da professora e doutora em Línguas Africanas pela Universidade Nacional do Zaire, Yeda Pessoa de Castro.

Fórum
A SEC também realizou nesta quarta-feira o encontro de coordenadores do Fórum Estadual de Educação Quilombola, no Instituto Anísio Teixeira (IAT), com a participação de 30 professores e lideranças regionais. O evento dá prosseguimento aos encontros realizados nos municípios de Seabra, Bom Jesus da Lapa, Senhor do Bonfim e Maragogipe, que promoveram discussões sobre a educação quilombola de forma diferenciada.

Para o secretário-geral do Conselho Estadual de Associações e Comunidades Quilombolas (Ceaq), João Santos, é necessário reconstruir a história a partir do questionamento sobre o que é ser quilombola. “Nós buscamos uma educação inclusiva, em que as crianças e os adolescentes tenham outra visão sobre si mesmo e saibam o que é a diáspora no Brasil e a relação do negro dentro da sociedade”.

História
O dia 25 de maio foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) como Dia da Libertação da África em 1972, em decorrência da reunião realizada por 32 Chefes de Estado africanos, em 1963, com ideias contrárias à subordinação do continente durante séculos.