IPAC divulga tombamentos e registro no Dia Nacional do Patrimônio

Publicado: 16/08/2011 Última atualização: 05/10/2026 às 14:07

Em comemoração ao Dia Nacional do Patrimônio, nesta quarta-feira (17), o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), autarquia da Secretaria de Cultura (Secult), divulga seis tombamentos de bens materiais (edificações de relevantes méritos arquitetônico-históricos na Bahia) e um registro de bem intangível (manifestação cultural), todos realizados pelo Governo do Estado em 2011.

Dentre os seis prédios tombados, está o da Associação dos Empregados do Comércio, localizado na esquina da Rua Chile com a Rua do Tira Chapéu, ao lado da Câmara Municipal de Salvador, cujo decreto de tombamento definitivo nº 10.039 foi publicado no Diário Oficial do Estado em 10 de agosto (2011). “O projeto da Associação é do arquiteto italiano Rossi Baptista, que também fez o Palacete das Artes, na Graça, e cerca de 30 outras edificações em Salvador”, relata o diretor geral do IPAC, Frederico Mendonça.

O outro tombamento definitivo é o da Usina Cinco Rios, decretado em 10 de agosto de 2011. Hoje em ruínas, a usina está localizada no distrito de Maracangalha, município de São Sebastião do Passé, a 70 quilômetros de Salvador. Ela foi fundada em 1912, mas remonta ao início da colonização portuguesa na região e toma emprestado o nome do Engenho Maracangalha, do século 16, que começou a ser construído em 1757. O equipamento já está desativado, mas é considerado de grande valor histórico e cultural.

“Trata-se do terceiro monumento industrial vinculado à produção açucareira baiana a ser tombado pelo Estado, já que antes foram tombados o Engenho de Baixo, no município de Aratuípe, em 2002, e o de Cajaíba em São Francisco do Conde, em 2004”, explica Mendonça.

Completam a lista, os tombamentos provisórios de quatro edificações no município de Wagner, localizado a 390 km de Salvador, na Chapada Diamantina, construídas a partir de 1916 com a chegada do médico cirurgião norte-americano Walter Wood e sua esposa, a enfermeira Grace Wood. Foram construídos ambulatório, farmácia, igreja e, dez anos depois, o Memorial, primeiro hospital da Chapada. Em 1931 foi criada a primeira escola superior de Enfermagem da Bahia, e em 1939 concluído o complexo educacional, com auditório posterior, em 1964.

“Wagner preserva infraestrutura arquitetônica de caráter excepcional”, diz a arquiteta Ligia Larcher, mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal da Bahia e parecerista do IPAC. “Os edifícios são simples e austeros, com características que se aproximam do estilo Georgian, ou Colonial Americano, tributário do neoclassicismo, por sua vez inspirado no neo-palladianismo”, diz a especialista.

O último tombamento provisório foi a da antiga Vila do Parnaíba, hoje Iraporanga, um dos povoados que surgiram com a chegada dos garimpeiros atraídos pelos diamantes na região do município de Iraquara, também na Chapada.

“A vila possui traçado urbano peculiar, caracterizado por ruas largas, perpendiculares, o que remete ao urbanismo pombalino implementado nas vilas das regiões de mineração, no final do século 18”, explica Larcher. As ruas e praças possuem calçamentos de pedras, em forma de lajedos ou paralelepípedos, com passeios estreitos que circundam as casas e definem os quarteirões.

Vaqueiros
Já o bem imaterial publicado em decreto em 10 de agosto foi o ‘Ofício dos Vaqueiros’, que passa a estar inscrito no Livro de Registros Especiais dos Saberes e Modos de Fazer do Estado da Bahia, também graças às pesquisas e dossiê do IPAC.

Prioridade para recursos
Ao serem reconhecidos oficialmente pelo Estado como Patrimônios Culturais, esses bens passam a ter prioridade efetiva nos programas e linhas de financiamento municipais, estaduais, federais e até internacionais.

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Primeira Escola Superior de Enfermagem da Bahia (Foto: Ligia Larcher)