Arqueologia da Bahia é selecionada em fórum nacional em Minas Gerais

Publicado: 19/08/2011 Última atualização: 05/10/2026 às 14:07

A experiência piloto de educação patrimonial do ‘Programa Circuitos Arqueológicos na Chapada Diamantina’ venceu a seleção nacional do 3º Fórum de Mestres e Conselheiros: Municipalização do Patrimônio e Educação Patrimonial, onde será apresentado, neste final de semana, em Belo Horizonte (MG). O evento acontece até o próximo domingo (21).

O programa é uma iniciativa do Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura e Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), com o Departamento de Antropologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), que desenvolveu pesquisa e proposta de manejo de Sítios de Arte Rupestre em seis municípios da Chapada Diamantina, região central do estado.

O tema será a educação patrimonial, primeira ação realizada pelo programa. “Não se pode exigir parcerias da sociedade e iniciativa privada com o poder público, se não tivermos antes ações educativas que ensinem a importância da história, memória e identidades culturais”, diz o diretor geral do Ipac, Frederico Mendonça. Ele e o renomado arqueólogo Carlos Etchevarne foram responsáveis pela criação do programa.

Além de professor da Ufba e PhD pelo Instituto de Arqueologia da Universidade de Coimbra, Etchevarne é doutor em Pré-História pelo Museu de História Natural de Paris, autor de dezenas de projetos, com reconhecimentos local e nacional como o Prêmio Clarival do Prado Valladares da Odebrecht.

Memória

Para Mendonça, a salvaguarda dos bens culturais assegura a permanência da memória de um povo e da sua cultura para as futuras gerações, o que auxilia no desenvolvimento de uma nação e país. “Só se valoriza o que se conhece. Por isso, começamos com educação para possibilitar que as populações, agentes públicos e privados tivessem maior consciência participativa, se tornando multiplicadores e defensores do processo de preservação.”

A meta é o desenvolvimento sustentável de municípios da Chapada, tendo por base seus patrimônios culturais, via mobilização de agentes e municípios para a valorização dos bens arqueológicos, naturais, paisagísticos e arquitetônicos.“A Bahia é um dos estados mais ricos do país quando falamos da quantidade e qualidade do patrimônio material como construções seculares tombadas, pinturas rupestres, fósseis ou grutas, e podemos tirar proveito disso”, afirma o diretor do Ipac.

O segundo passo será a construção de uma rede estadual que vise conservação, criação de instrumentos normativos, proteção, promoção, mapeamentos, catalogações e, finalmente, a exploração turística ecologicamente sustentável desses bens culturais.

Foram promovidos cursos de educação patrimonial, oficinas de arqueologia, conservação de objetos antigos, fotografias digitais e analógicas, exercitando o olhar, leitura da realidade e dos bens culturais de cada localidade. “O trabalho educativo promoveu conhecimento, postura crítica, sensibilizando e conscientizando cerca de 500 crianças, adolescentes e adultos na Chapada”, explica a coordenadora de Educação Patrimonial do Ipac, Ednalva Queiroz.

Os municípios beneficiados foram Morro do Chapéu, Iraquara, Lençóis, Palmeiras, Seabra e Wagner. Depois das oficinas foi criada a exposição ‘Guardados e Achados - Memórias do Lugar’, que percorreu os seis municípios e chegará a Salvador em 12 de setembro deste ano, no Solar Ferrão, Pelourinho, para a programação comemorativa dos 44 anos do instituto, no dia 13.

Essa é a primeira vez que o programa é apresentado fora da Bahia. Carlos Etchevarne considera fundamental a preservação dos sítios arqueológicos pela importância deles como referencial histórico. Segundo o professor, as características desses sítios contribuem para visitações selecionadas que podem alavancar a economia do local. “Essa experiência vitoriosa pode ser projeto piloto para vários estados brasileiros”.

Mais informações sobre o evento pelo telefone (31) 3409-8820 ou e-mail forumpatrimonio@yahoo.com.br. Os dados sobre os Circuitos Arqueológicos do Ipac/Ufba podem ser obtidos pelos telefones (71) 3117-7496/7498 e coad.ipac@ipac.ba.gov.br.

Fórum

O evento reúne agentes, membros de conselhos municipais, educadores e profissionais da educação patrimonial, além de pesquisadores, estudantes e professores universitários que discutem municipalização, premissas e instrumentos, arranjos institucionais, resultados e possibilidades de financiamento.

Promovido pelo Instituto de Estudos do Desenvolvimento Sustentável, Mestrado Interdisciplinar em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável da Universidade Federal de Minas Gerais (MACPS-UFMG), o evento apresenta conferências, mesas redondas e apresentações sobre Educação Patrimonial e Municipalização do Patrimônio.