Um impacto. Assim pode ser resumida a trajetória do grupo de teatro Avelãz Y Avestruz (AYA), que a partir dos anos 70 promoveu uma renovação na dramaturgia baiana, trazendo à cena não apenas uma aventura estética, mas uma nova política gerencial e comportamental.
Agora, essa história volta a cartaz, na forma da Exposição ‘Avelãz Y Avestruz - 35 anos’, organizada pelo artista plástico e cenógrafo baiano Joãozito, desta segunda-feira (24) a 13 de novembro, no Foyer do Teatro Castro Alves, e também com a Leitura Cênica de um Documento, na quarta-feira (26), às 19h, no TCA.
A iniciativa, que tem o apoio da Secretaria de Cultura do Estado (Secult), da Fundação Cultural (Funceb) e do TCA, integra a programação do Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia (Fiac). Na exposição, com a estrutura de um caleidoscópio, o artista reuniu fotos de todos os espetáculos, documentos e imagens dos atores fora do palco, as viagens e os camarins.
Outra atração será a kombi verde-oliva usada nas viagens do grupo pelo Brasil, que foi recuperada e servirá de “sala de projeção” dos filmes em super-8 e vídeo de algumas montagens. “A mostra tem muito dessa coisa de um passado quase recente, e a ideia do caleidoscópio é misturar tudo, mostrando ao mesmo tempo a unidade de cada peça”, explica Joãozito. A abertura da mostra será às 19h desta segunda.
Coletivo baiano
O AYA não era uma companhia empresarial como as que faziam o teatro profissional da Bahia e nem um grupo amador. O grupo se consorciava por meio de contratos coletivos para cada peça. As atividades começaram com ‘Rapunzel’, uma adaptação para adultos do conto infantil dos irmãos Grimm, que estreou no Teatro Sesc/Senac Pelourinho, em junho de 1976, como uma inovação no teatro baiano.
Os artistas que integravam o coletivo baiano continuam atuantes - Maria Eugênia Milet, Hebe Alves, Fernando Fulco, Sérgio Guedes, Sérgio Carvalho, Milton Macedo, Márcio Meirelles e Chica Carelli, entre outros. À exceção de ‘Salomé’, em parceria com Lia Robatto, e ‘Fala Comigo Doce como a Chuva’, todos os espetáculos do grupo foram dirigidos por Marcio Meirelles.
“Esses 35 anos trazem uma reflexão, e o distanciamento nos permite ver melhor a respeito de um tempo, não só do grupo, mas de um momento síntese do teatro brasileiro, a partir do AYA”, afirma Marcio Meirelles. Ele lembra que o grupo se desenvolveu muito no Teatro Castro Alves, onde tinha uma sala de ensaio, com o apoio dos então diretores José Augusto Burity e Theodomiro Queiroz. “Eram oito horas de ensaio por dia, às vezes 12, sempre em busca de um apuro técnico e estético muito grande em cada espetáculo.”
Despedida
Foram 15 montagens com diversos prêmios e apresentações também pelo Brasil. Entre outras peças, o grupo apresentou ‘A Rainha’, de Aninha Franco, ‘Fausto’, de Goethe, ‘Alice, Fantasia Dramática’, baseado em Lewis Carrol, ‘Baal’, de Brecht, ‘Macbeth’, de Shakespeare, e ‘Fala Comigo Doce como a Chuva’, de Tennessee Williams. Em 1989, foi montada ‘Lulu’, de Wedkind e, segundo Marcio Meirelles, a poética da peça era a mesma desenvolvida pelo diretor com o grupo em seus 15 espetáculos anteriores. “Assim, o Avelãz y Avestruz assinou a realização do espetáculo, com o Lanavevá, numa despedida. Coisa que não tinha sido feita ainda.”