EBDA distribui sementes para agricultores do programa Brasil Sem Miséria

Publicado: 25/11/2011 Última atualização: 05/10/2026 às 14:07

Com as chuvas que começam a cair no Território de Irecê, renova-se a esperança de milhares de agricultores que cultivam milho e feijão na região. Este ano, porém, um diferencial se apresenta para muitos desses agricultores. Com as chuvas, chegam também sementes selecionadas de milho e feijão, entregues pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), da Secretaria da Agricultura (Seagri), aos agricultores familiares cadastrados pelo programa Brasil Sem Miséria. Junto a essa ação, o programa visualiza a inclusão social e produtiva dos beneficiários com garantia de renda e acesso às políticas públicas.

São mais de 3.600 famílias agrícolas em situação de extrema pobreza – com renda de até R$70/mês, por familiar – os beneficiários do programa nos municípios de Ibipeba, Lapão, Irecê, São Gabriel, Cafarnaum, Canarana, Presidente Dutra, Central, Mulungu do Morro, Ibititá, Uibaí, Barro Alto, América Dourada, João Dourado e Jussara, na região de Irecê.

Entre esses, está o agricultor familiar de Lapão, Tiago Souza Ferreira, 25 anos, casado com Josina da Silva Lima, 23, e pai de Débora, Iago e Ilana, respectivamente com oito, três e um ano. Há dois meses, Tiago chegou de São Paulo, onde foi trabalhar na construção civil, na expectativa de levantar recursos para manter a família. Não aguentou a saudade e voltou. “É muito triste viver longe de quem a gente ama”. Ele disse que pretende, com o programa, melhorar a vida e não precisar mais se distanciar da família para sustentá-la.

Para plantar milho, Tiago já tem 5,5 tarefas aradas, numa área cedida pelo pai, no fundo de sua casa, com dois cômodos, onde mora toda a família, no povoado de Lajedo de Eurípedes, a 20 quilômetros da sede do município. Também próximo da casa,a aproximadamente dois quilômetros, está a Fazenda Ferreira, de sua propriedade, com sete tarefas, que ainda está sendo roçada para plantar mais milho consorciado com feijão e onde já tem uma “rocinha” de mamona. No quintal, nem fruteira, nem hortaliças ou outro tipo de cultura. Apenas algumas galinhas para o consumo da família.

Esta é a realidade da grande maioria das famílias já selecionadas pelo Brasil Sem Miséria no Território de Irecê, que a EBDA, além da entrega de sementes, será responsável pela prestação de assistência técnica e extensão rural, na perspectiva de melhorar a condição de vida dos agricultores com inclusão produtiva e social das famílias.

“Se chover certo, essas sementes vão me ajudar muito. Posso bater até 60 sacos de milho”, afirmou Tiago, ao receber das mãos dos técnicos da EBDA sementes selecionadas de milho e feijão. “Nunca tive essa oportunidade. Vou fazer tudo do jeito que me ensinarem”.

Segundo o engenheiro agrônomo da EBDA, Daniel Botto, responsável pela assistência a Tiago, além de milho, feijão e mamona, a propriedade tem potencial para promover a inclusão produtiva da família, com a diversificação de culturas. “A área pode ser aproveitada para a criação de galinhas, porcos e caprinos, de forma racional, formação de pequena área com pastagem e plantio de palma forrageira, adensada, construção de um galinheiro e de pocilga, além de uma área para instalação de um pomar e de uma horta doméstica, que ajudará na segurança alimentar da família. O excedente da produção também pode ser comercializado e contribuir com a renda familiar”, explicou Botto, que já visitou a propriedade para estudar as possibilidades da área.

O programa

Com o objetivo de retirar as populações rural, urbana e periurbana da pobreza extrema, através de três vertentes – garantia de renda, inclusão produtiva e acesso a serviços públicos –, o governo federal criou o Brasil Sem Miséria, que envolve diversos ministérios, como o de Desenvolvimento Agrário (MDA), de Desenvolvimento Social (MDS), da Saúde, da Educação, dentre outros. Para a sua execução, são realizadas chamadas públicas, onde os concorrentes apresentam projetos, dentro de normas pré-estabelecidas, ganhando aquele que oferecer a melhor proposta.

Na Bahia, a EBDA já ganhou cinco das oito chamadas públicas, sendo duas no Território do Velho Chico e três no Território de Irecê, envolvendo 23 municípios e beneficiando mais de 5.600 famílias de agricultores. Nessas localidades, a empresa, que contratou 76 técnicos nas áreas de agronomia, veterinária, assistência social, enfermagem e pedagogia, para atender esse público, está concluindo os diagnósticos das propriedades, onde são identificados e selecionados os agricultores beneficiários.

“As equipes multidisciplinares usam como base para a identificação dos possíveis beneficiários uma relação de agricultores que já fazem parte do Bolsa Família e têm a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP)”, explicou o coordenador do lote 4 do programa, com sede em Cafarnaum, Vinícius de Luna Freire.

“O diferencial desse programa é que em um tempo determinado, de 18 meses, espera-se que os agricultores beneficiados apresentem uma mudança na sua qualidade de vida, a partir da inclusão social e produtiva da unidade familiar”, disse o coordenador, na Bahia, do Brasil Sem Miséria, engenheiro agrônomo da EBDA, Samuel Feldman.

Ele ressaltou que o programa prevê desde a identificação da unidade familiar até a comercialização da produção. “Para isso são envolvidos todos os programas de governo, a exemplo do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), do Programa Saúde da Família (PSF), dentre outros que contribuem com a melhoria da qualidade de vida das famílias mais carentes”.

Sonho de uma vida melhor

Enquanto o programa se expande e alcança mais famílias, em Lajedo de Eurípedes, Tiago continua a plantar milho e feijão. Sua realidade agora está entrelaçada com o sonho de uma vida melhor, onde um programa de governo lhe acena esperança, e técnicos cheios de vontade acreditam que podem ajudá-lo nessa conquista.

“Escutar o filho pedindo algo que você não pode dar é muito triste. Trabalhar na terra é a forma que tenho para conseguir mudar isso. Com a ajuda que a EBDA está me dando, quero transformar esse sonho em realidade”, disse o agricultor.