O Programa de Certificação do Artesanato Baiano e o selo A Bahia Feita à Mãoforam lançados nesta segunda-feira (28), no Palácio da Aclamação, em Salvador, com a presença do governador Jaques Wagner e artesãos de diversos municípios baianos. O selo foi concebido pelo Instituto Mauá, em parceria com o Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
O objetivo das iniciativas é valorizar e diferenciar o artesanato local, protegendo-o de cópias e falsificações. Trata-se ainda do primeiro selo do país, em nível governamental, de certificação do produto artesanal. Segundo o governador, é preciso qualificar cada vez maiso artesanato. “O selo é para agregar valor e deve corresponder a uma certificação, proporcionando uma melhora na forma de produção e valorizando o trabalho daqueles que muitas vezes não conseguem pelo seu produto aquilo que ele vale”.
Para Wagner, marca é fundamental em qualquer tipo de comércio, e no artesanato não é diferente. “Somos o terceiro polo turístico do país e estamos na 13ª posição como lugar imperdível de ser visitado no mundo, e todos que vêm querem levar alguma coisa que caracterize a visita feita à Bahia. Quando você cria um selo desses, oferece mais conforto a quem compra e a quem vende mais condições de evoluir na sua produção”.
Apoio do Ibametro
O secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Nilton Vasconcelos, disse que o programa e o selo, que conta com o apoio do Ibametro, valorizam o artesanato e o artesão da Bahia. Ele informou que serão certificados cerca de 180 produtos ao longo de quatro anos. “Teremos a identificação dos procedimentos técnicos, sociais e culturais que estão relacionados a determinados produtos”.
Regina Castilho, artesã da região de Porto Seguro, produz peças feitas de coco. Ela afirmou que um dos principais problemas do segmento na região é o excesso de produtos de outros estados, que não são peças artesanais, mas são vendidas como se fossem. “Tem gente de Minas Gerais, do Paraná, de vários lugares que leva os produtos, escreve ‘Porto Seguro’ e vende. Tem até produto chinês vendido como artesanato. O selo vai valorizar nossa produção”.
A palha e o coco do licuri são a matéria-prima para o trabalho de José dos Santos Braga, do município de Santa Rita. “Na nossa região, o artesanato é muito importante. Somos agricultores familiares e a atividade com a palha e o coco ajuda a complementar a renda de mais ou menos 30 famílias. Agora, se a gente conseguir o selo, vai ficar mais fácil de vender”.
Edital vai beneficiar artesãos de todo o estado
O edital do programa será lançado em janeiro de 2012. As inscrições estarão abertas a partir de março. Cada artesão poderá inscrever, no máximo, dois produtos por tipologia. Para participar, é preciso que ele esteja em dia com a carteira de identificação do artesão emitida pelo Mauá e preencha os requisitos do edital. Para isso, os artesãos serão capacitados pelo Sebrae.
Diretora-geral do Instituto Mauá, Emília Almeida, declarou que o selo é um certificado de que o produto é feito à mão, e na Bahia. “Temos alguns pré-requisitos para a certificação, para que o nosso artesanato seja diferenciado e reconhecido. Esse diferencial vai conferir mais respeito e credibilidade para o artesão e para o produto, principalmente diante dos turistas estrangeiros. Os produtos com selo possuem responsabilidade social, são ecologicamente corretos e economicamente justos”.
Emília falou sobre a importância da qualificação do artesanato baiano para a economia. “Nossa maior representatividade das áreas culturais está no interior do estado. Todos podem participar do edital e os requisitos rígidos servem para que os artesãos que não forem contemplados imediatamente se esforcem para melhorar sua produção, com o viés empreendedor. O processo de certificação conta com auditorias, acompanhamento do Instituto Mauá e do Ibametro, e com um comitê avaliador”.
Publicada às 9h45
Atualizada às 12h10