Transferência dos comerciantes de São Joaquim inicia processo de recuperação da feira

Publicado: 05/01/2012 Última atualização: 05/10/2026 às 14:07

A transferência dos comerciantes da Feira de São Joaquim para o Galpão Água de Meninos, cedido pela Codeba, começou nesta quinta (5). Até o fim deste mês, 500 comerciantes terão ocupado o novo espaço para que a antiga feira seja totalmente recuperada. A expectativa é que as obras, que vão custar cerca de R$ 60 milhões, com recursos dos governos federal e estadual, durem até o final deste ano.

Nos becos e barracas da feira onde trabalham mais de cinco mil pessoas, entre feirantes, balconistas e carregadores, são encontrados ervas para o povo de santo, temperos, carnes, peixes, frutas, legumes, artesanatos e toda sorte de produtos típicos da região.

Comerciante de variedades que vão desde o azeite de dendê a copos plásticos, Erivaldo dos Santos, 49 anos, está há 40 trabalhando na feira. Ele contou que desde criança acompanha o crescimento desordenado do local e afirmou estar contente com a nova organização, vendo na iniciativa benefícios que vão além da recuperação da estrutura física. “Isso aqui vai ser uma escola para nós. Quando estivermos instalados no lugar definitivo, teremos aprendido a trabalhar com mais higiene, a dar melhor atenção ao nosso cliente, e acredito que todos nós teremos muito mais alegria. Esse galpão tem até seguranças”.

A aposentada Antônia Nascimento Batista, 76 anos, disse que desde os 12 frequenta afeira. “Eu vinha no bonde para Água de Meninos, subia a Ladeira do Funil com a cesta na cabeça. Cresci, casei, a feira mudou para São Joaquim e eu continuo vindo. Aqui é bom, todo mundo trata a gente bem, tudo tem qualidade. Agora vai melhorar para os vendedores e para os compradores”.

Tânia Maria de Souza também é aposentada e declarou que em São Joaquim compra, mais em conta, feijão, carne de sertão, galinha e outros gêneros. “A reforma vai evitar a sujeira, que atrai ratos, mosquitos, baratas, e dar mais segurança para nós”.

Organização e faturamento

Presidente da Associação dos Feirantes de São Joaquim, Nilton Ávila explicou que há 48 anos os trabalhadores locais tentam obter esse investimento. Ele comemora por poder trabalhar em uma feira urbanizada, com as práticas de vigilância sanitária em dia, “inclusive para trazer de volta muitos fregueses que se afastaram daqui pela falta disso tudo. E as pessoas vão ganhar uma feira mais bonita, organizada, com feirantes mais felizes e alegres para atender melhor”.

Outra expectativa, para o presidente do Sindicato dos Feirantes e Ambulantes de Salvador, Marcílio Costa, é a melhora da renda dos trabalhadores da Feira de São Joaquim. “Um pequeno comerciante que trabalha aqui tem um faturamento médio mensal de R$ 1 mil. Com a reforma e a capacitação, queremos aumentar esse ganho em até 100%”.

Ele ressaltou que foi uma sorte ter sido encontrada uma área disponível ao lado da feira, que está recebendo investimentos sem custos para o comerciante. “Teremos uma feira com nova estrutura, saneamento básico, com padrão de qualidade para a venda principalmente de carnes e vísceras, que hoje são comercializadas de forma inadequada. A mesma coisa para os peixes e para os animais vivos, como aves”.

Durante o tempo em que estiverem no Galpão Água de Meninos, os feirantes contarão com pontos de luz e água, além de internet sem fio, a custo zero. A limpeza dos ambientes também está garantida. A área externa contará com os serviços da Limpurb, enquanto a área interna terá a limpeza realizada pela Ebal, que será responsável pela administração do galpão.

Novo ponto integrado ao destino Salvador

A transformação da Feira de São Joaquim em um ponto turístico integrado ao destino Salvador é outra grande conquista, segundo o secretário do Turismo, Domingos Leonelli. “Temos aqui elementos culturais, da culinária, da religião, principalmente do recôncavo. Com a recuperação do espaço, a abertura para a Baía de Todos-os-Santos e a construção de um atracadouro, a feira vai ser um novo ponto turístico da Bahia, integrando-se a monumentos como a Igreja do Bonfim e o Farol da Barra”.

Leonelli informou que a recuperação da feira envolve as secretarias do Turismo (Setur), de Cultura (Secult), de Desenvolvimento Urbano (Sedur) e da Indústria, Comércio e Mineração (Sicm), por meio da Ebal. “Isso mostra a importância e o tamanho da ação. Temos consciência de que a Feira de São Joaquim é um patrimônio da Bahia e do Brasil e que essa é uma obra de delicadeza social. Por isso estruturamos esse espaço ao lado da feira, para que os comerciantes tivessem suas barracas reformadas sem parar de trabalhar. Essa é a beleza social desse projeto”.

Estrutura

O primeiro projeto de requalificação da Feira de São Joaquim foi elaborado pela Secult, por meio do Ipac, e depois reelaborado pela Conder, em parceria e sob a orientação da Secretaria do Turismo. Somente para a reelaboração do projeto, reforma do Galpão Água de Meninos, construção do Pátio dos Grossistas e fiscalização da obra, foram investidos mais de R$ 10 milhões. As obras de São Joaquim contam ainda com recursos de R$ 32 milhões, do Ministério do Turismo (R$ 29 milhões) e do Estado (R$ 3 milhões).

O Galpão Água de Meninos possui 221 boxes, incluindo 39 restaurantes e 142 bancas. Os boxes oferecidos aos feirantes que vendem mariscos, carnes e vísceras contam com infraestrutura que inclui balcões refrigerados, bancadas de granito, além de água, luz e esgoto. Já a área do Pátio dos Grossistas, que de imediato será incorporada à feira, conta com 54 boxes, 55 bancas, setor de administração, banheiros e área de carga e descarga.