A ‘Árvore Sagrada da Caatinga’, como foi batizado o umbuzeiro pelo escritor Euclides da Cunha, vem gerando renda e sendo fonte de sustento para centenas de famílias do sudoeste da Bahia. E para comemorar a safra do umbu, a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), através do projeto ‘Gente de Valor’, promoveu, no último fim de semana, o IX Festival do Umbu, no município de Manoel Vitorino, a 380 quilômetros de Salvador.
O objetivo foi celebrar a cadeia produtiva do umbu e promover a sustentabilidade da região, a partir da sociobiodiversidade da caatinga, além de dar visibilidade ao trabalho realizado pela Cooperativa de Produção e Comercialização da Agricultura Familiar do Sudoeste da Bahia (Cooproaf), apoiada pela empresa.
Manoel Vitorino produz 5 mil toneladas de umbu por ano. A fruta sai das propriedades por R$ 0,50 o quilo. A saca é vendida entre R$ 20 e R$ 30. Com tanta produção, é preciso inovar nas formas de vender a fruta. E os produtores deram um show de criatividade transformando o fruto em mais de 40 tipos de iguarias. O umbu deu sabor a doces, geleias, sucos, compotas, polpas, pastéis, bolos, tortas, mousses e sorvetes para degustação.
Estado investe em unidades de processamento
Para o diretor-executivo da CAR, José Vivaldo Mendonça Filho, “é preciso contemplar os aspectos socioculturais e econômicos do umbu”.Vivaldo lembrou que ainda tem muita gente ganhando dinheiro com o umbu in natura, comprando barato e levando pra vender mais caro fora da região. “Quem tem que ganhar dinheiro são os agricultores que têm o trabalho desgastante de colher. A Cooproaf assume o papel de desenvolvimento regional e nós temos o desafio de agregar valor à produção. A CAR já está investindo em mais ações para promover a cadeia produtiva do umbu. Ainda no primeiro semestre deste ano, serão investidos cerca de R$ 2,5 milhões em três unidades de processamento, beneficiando mais de 150 famílias”, contou.
De acordo com gerente regional do Gente de Valor, Élcio Rizério Carmo, as unidades de beneficiamento de umbu serão implantadas na cidade de Manoel Vitorino e nas comunidades Poço da Pedra (Manoel Vitorino) e Espírito Santo (Mirante). “Muitas famílias trabalham com o umbu de forma caseira, vamos investir no potencial da região”, salientou.
Para a presidente da Cooproaf, Marilda dos Santos, o Festival do Umbu foi uma grande oportunidade para divulgar os produtos da cooperativa. “Temos uma variedade enorme e a expectativa é que nossas vendas aumentem e que possamos fornecer outros quitutes, além do nego-bom, para a merenda escolar”, afirmou.
O assessor da CAR especializado em umbu, Egnaldo Gomes, pontuou que o festival também foi um momento de confraternização, formação dos agricultores e troca de experiências. Foram realizadas exposições e oficinas temáticas sobre ‘A Importância Sociocultural e Econômica do Umbu para o Semiárido’, ‘Cooperativismo’, ‘Produção e Beneficiamento do Umbu’, ‘Gastronomia’, ‘Convivência com o Semiárido’ e ‘Agroecologia’.