Guardar documentos é, antes de tudo, guardar vidas, histórias e identidades. No Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), cada caixa, cada manuscrito e cada registro ajudam a contar capítulos decisivos da formação do Brasil. Nesta quinta-feira (5), o equipamento completou 136 anos reafirmando seu papel como um dos principais guardiões da memória baiana. Na ocasião, o governador Jerônimo Rodrigues entregou melhorias, anunciou novos investimentos e destacou a importância da preservação do acervo histórico.
A celebração foi marcada pelo reconhecimento regional da Unesco, por meio do Programa Memória do Mundo. A coleção Passaportes de Escravizados, Libertos, Livres e Africanos (1821–1889), que integra o acervo colonial do Arquivo Público da Bahia, passou a compor o Registro Regional da América Latina e Caribe. Os documentos são fontes importantes para pesquisas sobre o período da escravidão. Com isso, o APEB se torna a primeira instituição baiana a alcançar essa etapa regional e agora concorre ao reconhecimento global.
“Preservar a memória é um compromisso com o passado, mas também com o futuro. Garantir que esse prédio seja definitivamente do Estado é proteger um patrimônio que pertence ao povo baiano. E o reconhecimento da Unesco mostra que o que está guardado aqui tem importância para o mundo”, afirmou o governador Jerônimo Rodrigues.
A segurança do acervo também foi reforçada com a resolução definitiva do processo judicial que envolvia o prédio-sede do Arquivo, instalado no Solar da Quinta, imóvel tombado pelo Iphan desde 1949. A Justiça homologou acordo que reconheceu o pagamento integral de R$ 8 milhões, eliminando o risco de leilão e garantindo a permanência do Arquivo em sua sede histórica.
Investimentos
A cerimônia também marcou a entrega de melhorias estruturais, a implantação do Laboratório de Digitalização e o anúncio do restauro da fonte histórica em pedra localizada no pátio do Arquivo, parte do conjunto arquitetônico do Solar da Quinta. A antiga Sala do Pesquisador foi requalificada e passou a se chamar Sala Dr. Luiz Gama, com novos equipamentos, mobiliário e climatização, em investimento de R$ 50 mil da Fundação Pedro Calmon.
Implantado por meio de convênio federal com o Ministério da Cultura, o Laboratório de Digitalização recebeu investimento de R$ 100 mil e conta com câmeras profissionais, scanners planetários A3, computadores de alto desempenho e notebooks. “Estamos modernizando o Arquivo para ampliar o acesso e proteger ainda mais os documentos. A digitalização garante preservação e democratiza o conhecimento”, destacou o secretário de Cultura, Bruno Monteiro.
Para o diretor do APEB, Jorge X, as melhorias estruturais e tecnológicas fortalecem o trabalho técnico e ampliam a capacidade de atendimento a pesquisadores. “Esses investimentos qualificam nossos fluxos de trabalho, dão mais segurança ao acervo e permitem que mais pessoas tenham acesso a documentos fundamentais para entender a história da Bahia e do Brasil”, disse.
Novo PAC amplia agenda de restauros na Bahia
Durante a celebração, também foram anunciadas autorizações, no âmbito do Novo PAC, para a deflagração de processos licitatórios destinados à elaboração de projetos de restauro de importantes espaços históricos e culturais da Bahia. A iniciativa envolve parceria entre o Ministério da Cultura, a Secretaria de Cultura do Estado e o IPAC.
Entre os imóveis contemplados estão a Faculdade de Medicina da Bahia, o Convento de Santa Clara do Desterro, o Ilê Maroia Laji (Terreiro do Alaketu), a Casa do Samba de Santo Amaro e a Casa Berquó e Sete Candeeiros, onde será criado o Centro de Referência do Patrimônio. As autorizações ampliam o alcance das políticas de preservação e reafirmam o compromisso do Estado com a valorização da memória e da cultura baiana.
Repórter: Tácio Santos/GOVBA