Produzido no assentamento Terra Vista, no município de Arataca (BA), o Chocolate Rebelde vem ampliando mercado e se consolidando como uma experiência bem-sucedida de agroindustrialização aliada à formação técnica de jovens do meio rural. A iniciativa agrega valor à produção de cacau da agricultura familiar.
Fruto da Reforma Agrária e das políticas públicas de incentivo à agricultura familiar do Governo do Estado, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), o empreendimento é hoje um exemplo de resistência produtiva e organização coletiva, envolvendo agricultores e agricultoras assentados.
Desenvolvido desde 2011, inicialmente sob o nome Chocolate Artesanal Terra Vista, o projeto ganhou impulso em 2018, com a inauguração da Fábrica-Escola. A estrutura passou a contribuir diretamente para a formação de estudantes do curso técnico em Agroindústria do Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) da Floresta do Cacau e do Chocolate Milton Santos, localizado no próprio assentamento.
Entre os estudantes que atuam na fábrica está Anthony Santos, neto de assentados e familiarizado com a produção desde a infância. “Aos 13 anos, fui convidado a conhecer o processo de fabricação e, quando ingressei no curso técnico, foi natural estagiar aqui. Esse aprendizado representa uma oportunidade de qualificação e contribui para que os moradores permaneçam no assentamento, valorizando a produção local”, afirma.
O crescimento da produção, que atingiu 500 quilos em 2025, aliado ao aprimoramento da qualidade, impulsionou o reposicionamento da marca. A mudança incluiu a adoção do nome “Chocolate Rebelde” e o desenvolvimento de uma nova identidade visual.
“Esse novo conceito busca representar a luta pela alimentação orgânica e sustentável, bem como a igualdade entre os povos. As embalagens trazem imagens de animais da nossa fauna e reforçam o trabalho com sistemas agroflorestais e a preservação da mata ciliar. Também marca esta fase de expansão, em que já alcançamos oito estados, com potencial de ampliar ainda mais a produção e a distribuição”, destaca o coordenador da fábrica, Robson Pinheiro.
A expansão da marca também impactou a estrutura produtiva. “Antes, contávamos com quatro colaboradores. Hoje, são 12 colaboradores internos e quatro externos, além dos estudantes em estágio. Estamos finalizando um projeto de reforma da unidade e de aquisição de novos maquinários, em parceria com a CAR”, explica.
Em 2026, a marca lançou novos produtos, como a trufa de chocolate, apresentada durante a comemoração dos 34 anos do assentamento, em 8 de março, Dia Internacional da Mulher, além do licor de chocolate, do chá em sachê da película do cacau e do chocolate com café. As novidades se somam a outros 13 itens já desenvolvidos.
Chá de cacau amplia aproveitamento do fruto
Rico em antioxidantes e com potencial de auxiliar na regulação da pressão arterial e no funcionamento do sistema digestivo, o chá de cacau é uma das apostas recentes da marca. Lançado em 2026, o produto é feito a partir da película do fruto, reforçando o conceito de aproveitamento integral.
“Desenvolvemos o chá em sachê a partir da película do cacau, podendo ser consumido puro ou combinado com hortelã, hibisco, cidreira ou capim-limão. É uma experiência de sabor que surpreende”, destaca a nutricionista da fábrica, Kessia Souza.