A intensificação do El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, com influência sobre o clima em grande parte do planeta, deve provocar um atraso no início do período chuvoso nas regiões Centro-Sul e Oeste da Bahia e manter as temperaturas acima da média em todo o estado nos próximos meses.
É o que indicam o boletim mais recente da NOAA (agência responsável pelo monitoramento climático oficial dos Estados Unidos), divulgado em julho, e o boletim de tendência climática elaborada pela Coordenação de Estudos de Clima e Projetos Especiais (COCEP), da Diretoria de Recursos Hídricos e Monitoramento Ambiental (DIRAM) do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), para o trimestre de julho a setembro deste ano.
Chuvas de junho ficaram concentradas no litoral e abaixo do padrão histórico
O mês de junho integra, historicamente, o período mais chuvoso da faixa leste do território baiano, quando são esperados acumulados expressivos, sobretudo na faixa litorânea. Em 2026, no entanto, a precipitação registrada no mês ficou restrita ao setor leste e ao litoral do estado, superando a marca dos 150 mm em áreas do Nordeste e do Recôncavo baiano.
Ainda que as chuvas tenham se mantido dentro do padrão mensal normalmente esperado, os totais acumulados foram insuficientes para atingir a média histórica, o que resultou em uma condição predominantemente classificada como normal a abaixo do normal para o mês em todo o estado.
O período entre julho e setembro marca, climatologicamente, o encerramento do período chuvoso na costa leste da Bahia, quando costumam ser registrados volumes expressivos de precipitação associados aos sistemas meteorológicos típicos da estação. Na parte central do estado, o mesmo período mantém o padrão histórico de estiagem, com escassez de chuvas, enquanto no setor Oeste tem início o período chuvoso regional.
El Niño ganha força e amplia riscos climáticos
Segundo o boletim da NOAA, as águas do Pacífico equatorial já estão significativamente mais quentes do que o normal, e essa diferença tem aumentado mês a mês. As previsões indicam que o fenômeno deve continuar ganhando força até o final deste ano, com 97% de probabilidade de permanecer atuante ao menos até o primeiro trimestre de 2027. Os modelos também apontam 81% de chance de este El Niño se tornar um dos mais fortes já registrados desde 1950.
Para a Bahia, esse cenário deve significar atraso no início da estação chuvosa nas regiões Centro-Sul e Oeste do estado, que normalmente começa em meados de outubro, além de temperaturas mais altas em todas as regiões e maior probabilidade de ondas de calor.
Essa avaliação é reforçada pela própria tendência climática do Inema para o trimestre, que aponta que as condições oceânicas atuais mostram fortes anomalias de temperatura na superfície do mar no leste do Oceano Pacífico, e a probabilidade de estabelecimento do El Niño neste período subiu para 92%.
Monitoramento técnico subsidia ações de prevenção à estiagem
Diante desse cenário, a equipe técnica de meteorologistas da COCEP acompanha de perto a evolução do fenômeno. O trabalho inclui a emissão regular de boletins climáticos, a participação em reuniões de acompanhamento com órgãos federais e estaduais e o monitoramento dos efeitos da estiagem sobre a vegetação e sobre o risco de queimadas.
Essas informações subsidiam as ações do Comitê Governamental de Convivência com o Semiárido, grupo que reúne o Inema e outras secretarias estaduais para o planejamento de respostas aos possíveis impactos da seca no território baiano.
O acompanhamento contínuo dos indicadores climáticos integra o conjunto de ações de gestão ambiental e hídrica conduzidas pelo Inema, que segue publicando boletins mensais e trimestrais como instrumento técnico de apoio à tomada de decisão e de informação à sociedade baiana.
Fonte: Ascom/Inema