Após anos de convulsões sem controle, adolescente baiano é operado no HGRS e não tem mais crises

Cirurgia para correção de displasia cortical realizada pelo neurocirurgião Leonardo Avellar livrou Pedro Henrique, de 15 anos, das crises epilépticas que duravam desde os dois anos de idade
Publicado: 24/07/2026 Última atualização: 05/10/2026 às 10:26
Após anos de convulsões sem controle, adolescente baiano é operado no Roberto Santos e não tem mais crises
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Por mais de uma década, Pedro Henrique Andrade conviveu com crises convulsivas que resistiam a todos os tratamentos medicamentosos. Aos dois anos, a epilepsia chegou. Aos 15, foi embora. Uma cirurgia de quatro horas no Hospital Geral do Roberto Santos (HGRS), em Salvador, realizada em janeiro de 2026 pelo coordenador do serviço de neurocirurgia e da residência em neurocirurgia do HGRS, Leonardo Avellar, mudou a história do adolescente e da família que passou anos tentando encontrar uma resposta.

Durante anos, a medicação controlava as crises, até que elas voltavam, sempre mais intensas. Em julho de 2025, diante do agravamento do quadro, Viviane encaminhou Pedro para o Centro de Referência em Epilepsia Refratária (CRE), do HGRS, onde também atende. Ajustes nas doses foram tentados, mas o padrão se repetia: controle temporário, recaída mais severa.

Em setembro de 2025, a neuropediatra solicitou dois exames específicos: uma ressonância magnética de três  Tesla e um PET scan, ambos do crânio. Os resultados, entregues na primeira semana de novembro, trouxeram o diagnóstico que mudaria o rumo do tratamento: displasia cortical focal - uma malformação no desenvolvimento do córtex cerebral, causa conhecida de epilepsia refratária. Em uma reunião multidisciplinar, a conclusão foi unânime: Pedro era candidato à cirurgia.

A foi cirurgia agendada para 6 de janeiro de 2026. Pedro internou no dia 2. Uma intercorrência adiou o procedimento para o dia 8 - e nas horas que antecederam a cirurgia, ainda internado, ele convulsionou mais de vinte vezes.

A cirurgia durou aproximadamente quatro horas. "É sempre uma felicidade enorme quando um caso assim evolui tão bem - e isso se multiplica quando estamos falando de uma criança, de um jovem de 15 anos com a vida inteira pela frente", disse Leonardo Avellar. "A recuperação de Pedro foi notável. É exatamente para isso que a gente trabalha". O neurocirurgião destacou, ainda, o impacto que casos como esse têm para além do paciente: "Isso repercute na qualidade da assistência que o Roberto Santos oferece - que é o maior hospital do Norte e Nordeste do país - e repercute diretamente no ensino. Os nossos residentes vivenciaram cada etapa desse caso. Isso forma médico. É muito satisfatório."

Pedro seguiu para a UTI após a cirurgia, onde permaneceu 48 horas por protocolo. Recebeu alta hospitalar no dia seguinte à saída da unidade intensiva. Desde então, não teve mais nenhuma crise convulsiva. Já iniciou o desmame de uma das medicações e teve a dose de outras duas reduzidas.

Para Manuella Andrade, mãe de Pedro, a gratidão é difícil de traduzir em palavras. "Graças a Deus, em primeiro lugar, e depois ao anjo que Deus colocou, que é o doutor Leonardo Avellar e a sua equipe. Pedro nunca mais convulsionou, está bem, tranquilo".

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