A Coleção Abre Caminhos apresenta 16 obras literárias inéditas de estudantes de graduação e pós-graduação negros, indígenas e quilombolas da Universidade do Estado da Bahia (Uneb). Lançada nesta quinta-feira (20), na Biblioteca Central, no bairro dos Barris, em Salvador, a publicação é resultado de uma parceria entre a Uneb - por meio da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX), pelo programa PROARTE e pela Eduneb - e a Fundação Pedro Calmon (FPC).
Nesta primeira edição, foram produzidos 3,2 mil exemplares impressos, distribuídos entre autores e ilustradores das obras e unidades da rede pública de bibliotecas, incluindo escolas estaduais. As versões digitais podem ser baixadas gratuitamente no site da Eduneb (https://eduneb.uneb.br/colecao-abre-caminhos/)
Segundo a reitora da Uneb, Adriana Marmori, o edital foi estruturado com a participação da Fundação Pedro Calmon, órgão vinculado à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, e buscou estimular a participação de estudantes de diferentes grupos sociais.
“Nós fizemos a abertura de um edital na nossa universidade com aporte financeiro, em parceria com a FPC, incentivando os nossos estudantes cotistas, dos diferentes marcadores sociais — indígenas, negros e negras, a comunidade LGBT e pessoas com deficiência — a conhecerem o edital e a fazerem sua produção”, afirmou.
A seleção foi estruturada considerando a característica multicampi da universidade e a diversidade de regiões representadas na coleção. As obras foram publicadas por meio do Edital 027/2025 - Literaturas Negras e Indígenas da Bahia: a Arte da Palavra no Risco da Cor, proposto pela Universidade do Estado da Bahia.
Produção literária dos estudantes
A construção do edital teve origem em discussões realizadas pela Uneb em atividades de escuta e audiências públicas relacionadas à cultura, à extensão e à participação da comunidade acadêmica. Durante essas atividades, realizadas em diferentes campi da universidade, foi identificada a produção literária de estudantes e a possibilidade de ampliar sua circulação.
Para Daniela Galdino, gestora cultural da Pró-Reitoria de Extensão (Proex) e curadora da coleção, um dos principais desafios do processo de seleção foi estimular a participação e autovalorização do público jovem.
“Encorajar a comunidade discente a superar essa visão elitizada e canônica da literatura, incentivando o público jovem e periférico a submeter seus escritos e a reconhecer o valor de suas próprias produções poéticas e narrativas foi a parte mais desafiadora”, explicou Daniela Galdino.
Entre os autores selecionados está Allane Mendes, estudante do campus de Irecê da Uneb. Sua obra reúne histórias transmitidas por diferentes gerações de sua família e comunidade.
“É uma alegria tremenda, porque a minha obra é uma coletânea de histórias que os meus bisavós me contaram, que os meus avós contaram e que outras pessoas mais velhas da comunidade contaram. Eu peguei as minhas ideias e transmutei junto com essas histórias, e saiu ‘As Aventuras de Dandara’. Eu estou muito feliz porque as políticas públicas da universidade têm chegado até a gente”, relatou.
Rede de bibliotecas
Além da distribuição dos exemplares impressos, as obras passam a integrar o acervo do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas. De acordo com o diretor-geral da FPC, Sandro Magalhães, a circulação também será ampliada por meio da rede de bibliotecas e espaços de leitura vinculados à instituição.
“Essa coleção, além de passar a fazer parte do acervo do Sistema Estadual de Bibliotecas, também vai circular na nossa Bibliorede, que é uma rede de bibliotecas e espaços de leitura espalhados pela Bahia. São mais de 412 espaços de leitura que vão receber essa coleção”, explicou.