O Estado da Bahia realizou, nesta sexta-feira (2), na Biblioteca Central dos Barris, em Salvador, a Feira de Empreendedorismo do Projeto Rede Mulheres II. O evento marcou o encerramento das atividades desta edição e reuniu cerca de 80 empreendedoras, entre trabalhadoras formais e informais de variados segmentos da economia local. Promovida pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) em parceria com a Associação Educacional Sons do Silêncio (AESOS), a iniciativa foca no fortalecimento da autonomia financeira feminina, com atenção prioritária a mulheres em vulnerabilidade e famílias atípicas.
Lançado em maio deste ano, o Rede Mulheres II contemplou oito municípios baianos com cursos de gestão, precificação, marketing digital, identidade visual e inteligência artificial aplicada aos negócios. Segundo a diretora da AESOS, Márcia Lemos, a ação capacitou 400 empreendedoras no estado. "Em Salvador, atendemos 160 mulheres, sendo 40 mães atípicas. O evento na biblioteca é a culminância desse ciclo, que trabalhou para empoderar essas produtoras e potencializar negócios que muitas já realizavam”, pontuou.
Titular da Setre e pai atípico, Augusto Vasconcelos destacou o papel da articulação em rede como ferramenta de distribuição de renda e enfrentamento ao capacitismo. "Esse projeto busca gerar autonomia para mulheres que sustentam suas famílias a partir do próprio negócio, especialmente mães atípicas que enfrentam barreiras diárias. O Estado da Bahia atua com foco na inclusão socioprodutiva", afirmou.
Vasconcelos adiantou ainda que a pasta prepara o lançamento, previsto para dezembro, do Projeto Empreende Mulheres. A proposta deve contemplar 500 participantes na capital nesta fase inicial, oferecendo suporte financeiro voltado à aquisição de maquinário e equipamentos de produção, com posterior expansão para o interior baiano. Ao contextualizar o cenário econômico, o secretário ressaltou os números recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), apontando que o estímulo ao microcrédito e à economia solidária caminham juntos à atração de investimentos e às 320 mil vagas formais de trabalho com carteira assinada geradas na atual gestão.
Voz, acolhimento e comercialização
A abertura do encontro contou com a apresentação do Coral das Mães Atípicas da AESOS. Uma das integrantes é Kelly Alakija, mãe de Alícia, 9, diagnosticada com autismo. Para ela, o espaço vai além da vitrine comercial. "Receber o diagnóstico é um impacto enorme, e a AESOS foi a porta que acolheu não apenas minha filha, mas a mim como mãe. A feira é essencial porque os benefícios muitas vezes não cobrem despesas com remédios e terapias", iniciou.
Na área de estandes, a artesã Rose Galvão, proprietária do ateliê Chine Chic, celebrou o impacto prático da qualificação em suas peças autorais. "Não adianta produzir itens de qualidade e mantê-los guardados em casa. A formação nos ensina a precificar, a estruturar o marketing e a conectar nosso trabalho às pessoas. A feira nos dá visibilidade e permite que o público valorize o artesanato baiano", concluiu.
O evento também contou com a presença das titulares da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi) e Secretaria de Política para as Mulheres (SPM), Ângela Guimarães e Camila Batista, respectivamente, de Jaiane Fiaz, representante da SEC, e Fábia Carvalho, da Superintendência de Política para Povos Indígenas do Estado da Bahia (SPPI/Sepromi).
Repórter: Juana Castro/GOVBA