Conclusão das obras da Case Simões Filho é prioridade da nova diretoria da Fundac

16/09/2007

Concluir as obras de ampliação e reforma da Casa de Atendimento Sócio-Educativo (Case) de Simões Filho. Esta será uma das prioridades do futuro diretor da Fundação da Criança e do Adolescente (Fundac), Walmir Mota, que visitou ontem (17) a unidade, acompanhado de Ieda Franco, que vai assumir a diretoria adjunta do órgão.


Os serviços estão praticamente paralisados desde 20 de dezembro, o que está sobrecarregando a Case de Salvador, localizada no bairro de Tancredo Neves. Na capital, a capacidade é de atendimento a 140 adolescentes em conflito com a lei, mas hoje 166 jovens estão internados de forma inadequada na unidade.


Walmir Mota afirmou que com a visita pôde verificar de perto a situação da Case de Simões Filho e o andamento das obras, que deveriam ter sido concluídas em dezembro do ano passado. Segundo ele, o próximo passo é buscar o apoio do secretário de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, Valmir Assunção, para agilizar os trabalhos e concluir as obras com a maior brevidade possível.


“Temos pressa que as obras sejam terminadas porque depois disso, nós poderemos transferir os adolescentes que estão na Case Salvador para cá. O ambiente da unidade de Salvador não foi construído de forma adequada. Já este ambiente aqui propicia a ressocialização. É muito mais fácil o adolescente se reencontrar consigo mesmo e com a própria liberdade”, afirmou, após percorrer as instalações em Simões Filho.


Por conta da reforma, a unidade teria capacidade para atender 80 adolescentes, está com apenas 39 internos. Apenas seis funcionários estão trabalhando nas obras, o que é insuficiente para concluir os 35% dos trabalhos que ainda estão faltando, incluindo aí uma das áreas para acolhimento dos adolescentes.


O investimento total é de R$ 1,5 milhão. Até agora, foram aplicados R$ 950 mil. Os recursos – que já estão assegurados – são do governo federal, via Secretaria Nacional de Direitos Humanos, mas a responsabilidade da fiscalização é da Superintendência de Construções Administrativas da Bahia (Sucab), do Governo do Estado.


Visitas


Ieda Franco destacou que a visita na Case de Simões Filho integra uma programação que inclui as demais unidades da Fundac. Na última terça-feira (16), a nova direção esteve na Case de Salvador. Na próxima segunda-feira (22), a visita deve acontecer no pronto-atendimento, que funciona em Brotas.


Na quarta-feira (24), está agendada uma visita à unidade de Feira de Santana. Já na quinta (25), o grupo estará em Mussurunga e, na sexta (26), na nova unidade feminina que está sendo construída. “A idéia é verificar a realidade de cada local e nos apresentar aos funcionários”, explica Ieda Franco. A nova equipe foi recebida pelo diretor da Fundac, Fidenciano Farias, a gerente Augusta Gomes, o assessor técnico Ricardo Simões e o coordenador técnico Péricles Mendes.


“Estamos na fase de buscar informações do que já existe, mas o que a gente já percebe é que a criança e o adolescente devem permanecer mais próximo da sua família. Queremos dar um incremento muito grande para a questão da regionalização e permitir que o jovem infrator possa permanecer mais perto do seu seio familiar. Se o trabalho com a família não for feito em paralelo, com certeza o adolescente volta para casa e encontra a família como deixou”, destacou Walmir Mota.


Instalações


Na área em que as obras foram concluídas, os 39 adolescentes da Case de Simões Filho têm acesso à escolarização em sistema de aceleração, além de oficinas de artefatos de cimento e gesso, esportes, panificação, origami, pedraria, artes plásticas e informática. Também estão funcionando um posto médico, biblioteca, escola, área de esportes com piscina e quadra.


O adolescente J.S., 18 anos, está há cinco meses na unidade e é um dos alunos da oficina de panificação. “Já sei fazer pãozinho, sonho, pão de queijo e outros tipos de pães”, conta. Para o instrutor Júlio Reis, que há dois anos trabalha na Fundac na oficina de panificação, o mais gratificante é transmitir a experiência e saber que os novos conhecimentos estão sendo úteis para os adolescentes quando eles deixam a unidade. “Vários meninos que saíram já estão empregados em padarias”, diz.


Já na oficina de origami e predarias, um dos adolescentes já se transformou em instrutor. K.S.P., de 17 anos, está ensinando o que aprendeu aos demais alunos, que já tiveram a oportunidade de expor seus trabalhos no shopping Piedade durante a semana do idoso.