Wagner abre em Irecê campanha estadual de vacinação contra o sarampo

Publicado: 16/09/2007 Última atualização: 05/10/2026 às 14:07

Até o final do mês, a população baiana tem um compromisso marcado com a saúde. Está em andamento a campanha estadual de vacinação contra o sarampo, a primeira voltada especialmente para o público masculino, com idade entre 12 e 39 anos. Com o registro da doença em 11 municípios baianos, constatou-se que o maior índice de casos foi registrado em homens na faixa etária em questão, sem falar que a ala masculina também foi identificada como a mais vulnerável à doença, pois costuma ir raramente a um posto de saúde. A imunização também contempla mulheres de 12 a 49 anos. Em toda a Bahia, pretende-se vacinar um milhão de pessoas. No município de Irecê, que integra uma das regiões mais atingidas, a campanha foi aberta oficialmente sábado (20) pelo governador Jaques Wagner e pelo secretário da Saúde, Jorge Solla, marcando o Dia Estadual de Vacinação contra o Sarampo.


Desde a primeira notificação (em setembro do ano passado) até agora, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) contabilizou 169 casos de sarampo, dos quais 72 foram descartados e 47 foram confirmados – 18 no município de João Dourado, um em Irecê e 28 em Filadélfia. Os demais 50 casos, que ainda estão sendo investigados, se distribuem pelos municípios de Senhor do Bonfim, Vitória da Conquista, Ipirá, Salvador, Barra do Choça, Candeias, Macaúbas e Central. A região de Irecê, um importante entroncamento rodoviário, compreende 19 municípios e o primeiro caso foi registrado em João Dourado. Em toda a região, a mídia local tem falado muito sobre o assunto, o que despertou bastante interesse pela campanha.


Acompanhando a comitiva do governador, a primeira-dama Fátima Mendonça, que é enfermeira, aplicou a primeira dose de vacina, seguida pelo secretário Jorge Solla. Durante a campanha, duas mil salas de vacinação estarão abertas ao público nos 417 municípios baianos. Na unidade de saúde do bairro de Vivendas, onde a vacinação foi lançada em Irecê, o governador Jaques Wagner literalmente vestiu a camisa da campanha contra o sarampo, mostrando que o envolvimento de quem tem responsabilidade com o poder público é fundamental. “Vesti a camisa para dizer que é importante se vacinar e que a melhor saída é a prevenção. Vim a Irecê lançar essa campanha porque o foco começou aqui ao lado, em João Dourado, e para mostrar que o governo da Bahia não fica preso a Salvador e se preocupa com todo o estado”, disse Wagner.


São 26 mil doses de vacina distribuídas em 20 postos no município de Irecê, onde moram 57 mil pessoas. Foram três mil doses disponibilizadas somente hoje, na abertura da campanha, quando 230 pessoas estiveram envolvidas na cidade. A vacina contra o sarampo é tríplice, pois combate também a caxumba e a rubéola. Até os 20 anos de idade, o cidadão deve tomar a primeira dose e mais uma de reforço. Já quem tem mais de 20 anos toma uma dose única da vacina, que não apresenta nenhuma contra-indicação. Em Filadélfia, a técnica de isolamento viral constatou que 80% das ocorrências foram provocadas pelo vírus D4, originário da Europa e do Canadá.


De acordo com a diretora da Vigilância à Saúde de Irecê, Simone Tosta, a doença era considerada erradicada na Bahia desde 1999. “Os sintomas do sarampo são febre, manchas avermelhadas pelo corpo, tosse e coriza”, explicou. Ela acrescenta que a doença é provocada por um vírus e pode ser transmitida pelas vias aéreas – tosse e gotículas que são expelidas pelo nariz e pela boca. Se não for tratado, o sarampo pode deixar seqüelas, como impotência sexual (nos homens), cegueira e retardos mentais. E se não houver o devido tratamento medicamentoso, a evolução do quadro pode levar à morte, nos casos mais graves. Para o secretário da Saúde Jorge Solla, a população baiana já poderá se sentir segura dos riscos do sarampo nos próximos dias. “O último caso foi verificado no final de novembro e as nossas ações, que foram rápidas, vão permitir a segurança plena de todos”, declarou.


No bairro do São Francisco, em Irecê, foi registrado o único caso de sarampo na cidade. Lá, mora o menino Murilo, de apenas 10 meses. Seu pai, o vigilante Osias de Castro Guerreiro, 39 anos, conta que, dois meses atrás, a criança começou a apresentar os sinais da doença, como moleza no corpo. “Nós o levamos logo a um posto de saúde, onde ele foi medicado. Mais tarde, foi confirmado o sarampo”, falou o pai. Ele suspeita que Murilo tenha sido contagiado após um passeio à cidade de Xique-Xique, quando a família pegou um ônibus lotado, onde o vírus pode ter circulado. “Felizmente, meu filho agora já está bom e recuperado”, disse Osias, que revelou já ter contraído a doença quando criança e que já se vacinou nos últimos dias. Como pai de família, ele apóia a campanha realizada pelo Governo do Estado.


A diretora Simone Tosta explica que a fonte de contágio de Murilo ainda está sendo investigada e ainda não foi identificada. Um fato que deve ser levado em conta é a idade de Murilo – 10 meses. Nessa faixa etária, a criança ainda tomou a vacina, que só é aplicada a partir de um ano. Segundo ela, o sarampo em Murilo foi identificado cedo, logo nos primeiros dias após a verificação dos sintomas. O exame sorológico, responsável pela detecção, foi realizado pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), que funciona em Salvador.


Na véspera do lançamento oficial da campanha, a população de Irecê já demonstrava uma forte adesão. Com o intuito de se prevenir, o lavrador Amaraí Pereira Gomes, 30 anos, apareceu na unidade de saúde do bairro de São Francisco para se imunizar. Ao saber da campanha através do noticiário de rádio e por um agente comunitário de saúde que atua nas proximidades de sua casa, Amaraí não pensou duas vezes e foi até o posto. “Vim fazer uma consulta e estou aproveitando para tomar a vacina”, disse ele, que é pai de dois filhos.


Mostrando que consciência em relação à saúde se adquire logo cedo, a menina Adriana Sousa Nunes, 12 anos, também foi se vacinar. “Soube que a doença era perigosa e que podia matar. Então, fiquei com medo e vim até aqui”, falou. Consta que, depois do surto de sarampo na região, a procura por vacinas nos postos de saúde aumentou 60%. Independentemente da campanha, a vacina está sempre disponível ao público nas unidades de saúde.