Cabula, Engomadeira, São Gonçalo, Estrada das Barreiras, Tancredo Neves, Beiru. Todas são localidades de Salvador carentes em infra-estrutura de lazer e saneamento, com grande parcela da população no mercado informal de trabalho e sem perspectivas educacionais. Além disso, essas comunidades têm em comum a proximidade com o Campus I da Universidade do Estado da Bahia (Uneb).
A Uneb quer interagir e colaborar ainda mais com esses bons vizinhos. Por isso, em uma iniciativa inédita, convidou lideranças desses bairros para construir, democraticamente, um grande programa de inclusão social com a participação da comunidade universitária. “Vamos montar uma sala especial para ouvir todas as demandas dos representantes da comunidade, um a um”, garantiu o reitor da Uneb, Lourisvaldo Valentim.
Nos próximos meses, uma comissão da Uneb vai ouvir todas as carências das comunidades. Na primeira reunião, realizada no último dia 30, na sala de reuniões da reitoria, os representantes falaram das principais dificuldades que enfrentam – analfabetismo juvenil e adulto, evasão escolar, falta de espaços de lazer, falta de saneamento, entre outros. “Nós vamos salvar nossos filhos”, disse Norma Ribeiro, moradora do bairro do Beiru e dirigente da Associação de Proteção e Defesa Unidos do Beiru, que participou do evento.
O programa está vinculado à Pró-Reitoria de Pesquisa e Ensino de Pós-Graduação (PPG). Para o professor do Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade (PPGEduC), Eduardo Dantas, e os mestrandos Romilson Sousa e Ivy Mattos, que estão coordenando as ações na Uneb, a idéia é formar uma rede de apoio, ouvindo a comunidade e servindo como mediador entre seus anseios e o poder público.
“Nosso sonho é ver essa rede funcionando e respeitando às diferenças entre as comunidades”, declarou Domingos Sérgio, da Associação Arca do Axé, também presente no evento. Romilson e Ivy fazem parte também do Núcleo de Estudos e Extensão de Ações Afirmativas - Firmina (Neeaf-Firmina). O nome é uma homenagem à escrava Firmina, mulher que passou a vida lutando pela liberdade de outros escravos. O programa também conta com a participação de estudantes e técnicos da universidade que já atuam em programas sociais.
Fase de captação
Depois das reuniões com os líderes comunitários, o programa passará para a fase de captação de recursos necessários para a execução dos projetos. Educação, Infra-Estrutura, Meio-Ambiente e Informática já estão na pauta de reivindicações.
Segundo o reitor Valentim, já estão encaminhadas parcerias com o educador Jorge Portugal, com o cantor Netinho de Paula, com as secretarias de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Secomp), Ciência Tecnologia e Inovação (Secti) e Educação (SEC).
Na primeira semana de maio, o programa deve estar pronto para a execução. Até lá, a coordenação está aberta a novas parcerias com ONGs e também com a iniciativa pública e privada.
Estavam presentes ainda representantes da Igreja Católica de Engomadeira, do Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, das Obras Assistenciais Drº Adolf Fritz, da Associação Comunitária e Carnavalesca África-Bahia e de rádios comunitárias, grupos de capoeira e as associações de moradores de Engomadeira, Beiru e da Estrada das Barreiras.