O Governo do Estado e a sociedade têm que, juntos, aprender a dialogar e a construir propostas de políticas que sejam, de fato, públicas, atendendo à diversidade da população. Este é o desafio colocado pelos participantes dos encontros setoriais que a Fundação Cultural do Estado da Bahia promove, desde segunda-feira (12), na Sala do Coro do Teatro Castro Alves, com artistas, críticos, produtores, professores, dirigentes de associações e sindicatos. Segunda-feira, aconteceram os setoriais de Artes Visuais e Música; terça, o de Teatro; e hoje (14), o de Dança.
Os encontros de Artes Visuais e de Música reuniram cerca de 200 participantes, que abordaram questões como a situação dos acervos dos museus, a importância do investimento em arte-educação, a urgência na revisão das políticas de ocupação dos espaços culturais da cidade e interior, além da necessidade de uma maior articulação da classe artística. O secretário da Cultura, Márcio Meirelles, esteve presente ao lado da diretora da Fundação, Gica Nussbaumer, da equipe multidisciplinar que vai colaborar na construção das políticas culturais do estado: Ayrson Heráclito (Artes Visuais) e Gilberto Monte (Música), e do diretor da OSBA, Ricardo Castro.
Para os participantes, os encontros setoriais foram o início do diálogo entre governo e sociedade. “Trabalho com arte e cultura há muitos anos, tanto com música, como com teatro e dança”, disse Clécia Queiroz, presente ao encontro setorial de Música. “No entanto, nunca havia sido convidada a conversar sobre política com ninguém da Fundação, e muito menos com o secretário. Este diálogo já é a coisa mais importante do dia, mas também acredito que vai servir para mobilizar os próprios artistas”, afirma.
No encontro, estiveram presentes nomes como Matilde Matos, Carlos Bastos, Maria Adair, Luiz Freire, Zú Campos, Edvaldo Gato, Danilo Barata, Joaozito, Isabel Gouvêa, Márcio Lima, Alice Ramos, Verônica Santos, Tuzé de Abreu, Suzana Bello, Marilda Santana, Mariella Santiago, Tuca Oliveira, Rebeca Matta, Irmã Vidal, Fernando Marinho, Augusto Hoisel, entre muitos outros.
Para Marcondes Dourado, que participou dos dois encontros, neste processo de reconstrução vai ser preciso muita paciência - tanto por parte da secretaria, quanto dos segmentos artísticos. “Acho que as pessoas estão tão magoadas com os governos anteriores que este sentimento até estreitou nossa visão. Passamos um tempo imenso falando só do que já existia, como os salões, por exemplo, enquanto havia tantos outros assuntos a serem aprofundados, com a proposta de investir em arte-educação, de ocupação dos centros do interior com projetos itinerantes... Mas é assim que se começa: exercitando”, ressalta o artista.
Márcio Meirelles frisou que neste governo não há espaço para pensamento revanchista. No entanto, afirmou que é preciso consertar o que estava errado e potencializar o que não recebeu a devida atenção, além de manter ou melhorar o que há de bom. “Para isso estamos aqui. Mas é necessário que o governo junte-se à sociedade, a todos os seus segmentos, de maneira a construir políticas e programas que de fato sejam públicas e não construídas para atender a este ou aquele projeto específico ou pessoal. Precisamos pensar coisas novas para a cultura na Bahia”, afirmou.
Entre estas coisas está a idéia de que a Cultura deve ser um fator de economia para o Estado, um gerador de renda. “Existe uma Superintendência destinada a pensar nas economias criativas. Antes, ela cuidava apenas do Fazcultura e do Fundo de Cultura. A idéia agora é possibilitar a auto-sustentabilidade da cultura, criando mecanismos que proporcionem isso”, contou o secretário.
Representantes de algumas instituições presentes ao encontro já se mobilizaram para colaborar com a Fundação Cultural. “Vamos apresentar um documento com propostas, elaborado na nossa próxima convenção”, disse Edvaldo Gato, presidente da Associação de Artistas Plásticos da Bahia. Os fotógrafos foram representados na fala de Adenor Godim, com o comprometimento de voltarem a se reunir entre eles para formular propostas para a área. Também os músicos ficaram de retomar encontros internos, a partir de uma articulação já iniciada pelo Sebrae.
Os encontros contaram ainda com a participação de Hirton Fernandes, Diretor de Integração Regional, e Ângela Andrade, da Superintendência de Cultura, que apresentaram estratégias para a descentralização das ações da Secretaria. Eles também divulgaram a etapas de realização da II Conferência Estadual de Cultura que acontecerá entre 1 e 3 de junho, com o objetivo de subsidiar o Plano Estadual de Cultura a ser contemplado pelo Plano Plurianual.