Seis mil pessoas saíram do desemprego em 2006 na RMS

16/09/2007

São seis mil pessoas a menos no contingente do desemprego na Região Metropolitana de Salvador (RMS). A redução obtida em 2006 representa uma queda de 1,4% em relação a 2005, perfazendo um total de 413 mil desempregados. Os resultados consolidados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) foram divulgados hoje (14) em coletiva à imprensa e apontam redução da taxa de 24,4% em 2005 para 23,6% em 2006. A expectativa apresentada para 2007 é de continuidade da queda do desemprego na região metropolitana de Salvador.


A divulgação feita em conjunto por técnicos da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria de Planejamento (Seplan), Faculdade de Ciências Econômicas da Ufba, Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e Secretaria de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) aponta tendência de redução da taxa de desemprego este ano. “Esse é o comportamento apresentado nos três últimos anos. Já a massa de rendimentos deve aumentar, com a entrada de mais pessoas no contingente empregado”, avaliou o economista Wilson Menezes, da Ufba.


Menezes ressaltou que a boa notícia para a análise de 2006 é que a taxa foi reduzida em conseqüência de uma criação real de vagas e não da diminuição da pressão sobre o mercado de trabalho. O saldo foi resultado da criação de 38 mil postos ao longo de 2006, número mais que suficiente para absorver as 32 mil pessoas que entraram no mercado. A População Economicamente Ativa (PEA) passou de 1,717 para 1,749 milhões, incremento de 1,9%.


O setor de serviços, principal vocação da região metropolitana, continua liderando a geração de postos: foram 25 mil vagas abertas (3,2% de incremento). Já o comércio, com 10 mil postos, foi o que mais cresceu em variação percentual: 4,8%. A indústria reduziu postos em 0,8% em relação a 2005 (- 1 mil), conseqüência principalmente da desaceleração da produção em decorrência da maturação dos grandes investimentos. No agregado “outros setores”, que inclui construção civil, serviços domésticos e outras atividades, o acréscimo foi de 4 mil vagas, sendo a maior parte (3 mil) gerada pela construção, que teve o maior incremento percentual (7,9%) do agregado.


“A construção civil ainda tem um peso pequeno na geração de trabalho na RMS, mas esse peso, que é atualmente em torno de 3,1%, deve aumentar. O cenário atual indica continuidade da expansão. Temos o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), as obras do metrô, novos shoppings planejados, e nunca a Caixa Econômica liberou tanto crédito como vem fazendo agora”, disse Thaiz Braga, economista do Dieese.


Rendimento


A massa total dos rendimentos aumentou em 2006 em função do aumento da ocupação, mas “há uma degradação no rendimento do trabalhador da RMS que vem acontecendo ano a ano desde 1997 e que acumula uma perda de cerca de 17%”, disse Braga. “O rendimento continua baixo e estancado”. Entre 2005 e 2006, o rendimento médio dos ocupados ficou estável (R$ 761), enquanto o salário médio teve queda de 0,7%, passando a R$ 868.


Um ponto crítico é a concentração da renda, que ainda é grande, apesar da lenta redução: em 1997, os 10% ocupados com menores rendimentos ganhavam até R$ 56, e os 10% maiores, acima de R$ 4.345; em 2006, os 10% menores passaram a até R$ 82, enquanto os 10% maiores, a acima de R$ 3.089. Outro dado revela a grave concentração: os 10% (134 mil pessoas) de menor renda se apropriam de 1,1% da massa de rendimentos, enquanto os 10% (também 134 mil) de maior renda, ficam com cerca de 40,5% do bolo. “Esse é um dado estrutural e só será alterado com medidas estruturais, de longo prazo”, comentou o professor da Ufba Wilson Menezes.


A PED é realizada mensalmente através de uma parceria entre SEI, Ufba, Setre, Fundação Seade e Dieese e, a partir deste mês, passa a ser divulgada através de coletiva de imprensa, que acontece simultaneamente nas cinco regiões do Brasil onde é realizada, além do Distrito Federal. “Este novo formato de divulgação irá facilitar a discussão entre técnicos e com a imprensa, possibilitando explorar melhor a base de informações contidas na pesquisa”, anunciou o diretor-geral da SEI, o sociólogo José Geraldo dos Reis Santos.