Três quilos de exemplares da bromélia Tilandsia usneoides, comumente chamada de barba-de-velho, foram instalados hoje (14), para monitorar a presença e a proporção de metais pesados e partículas poluentes no ar, durante os cinco dias de Carnaval em Salvador. A pesquisa, inédita no país, será feita em 15 pontos selecionados, nos circuitos Campo Grande/Castro Alves, Barra/Ondina e Pelourinho.
A primeira amostra foi colocada no posto da Emtursa, localizado em frente à Casa da Itália, no Centro, mobilizando uma equipe de especialistas. As espécies foram trazidas do Jardim Botânico do Rio pelo biólogo Leonardo Andrade, do Departamento de Histologia e Embriologia da UFRJ. O laboratório da universidade carioca vem acompanhando experimentos com a planta, realizados na região amazônica (Amazonas e Roraima) e nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.
A custo reduzido, Tillandsia é capaz de reter em sua superfície escamosa as partículas microscópicas de metais pesados e poluentes, capazes de afetar a saúde humana. O secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado, Juliano Matos, anunciou a disposição da Semarh em dar visibilidade à utilização da bromélia para monitoramento do ar nas dez maiores cidades do interior baiano ou naquelas onde existe demanda de informação sobre a variável ambiental.
A secretaria quer ser uma parceira das prefeituras na adoção do projeto de monitoração contínua da atmosfera, produzindo informações para orientar a política pública para o setor. ""Cidades como Feira de Santana, Vitória da Conquista, Barreiras, Itabuna e Santo Amaro potencialmente, já podem aderir ao projeto"", destacou Matos.
As pesquisas de incidência de metais na atmosfera utilizando a Tillandsia foram iniciadas na Itália, durante a década de 70, e replicadas em diversos países do mundo. Acondicionadas em cilindros plásticos vazados, a quatro metros do solo, as amostras expostas à atmosfera da Folia estão prontas para colher dados com segurança.
Além da Semarh e UFRJ, o experimento coordenado pela bioquímica baiana Nelzair Vianna tem a parceria entre da Universidade de São Paulo (USP), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Superintendência Municipal de Meio Ambiente e a Secretaria de Municipal de Saúde.