Duas espécies de orquídeas, até então desconhecidas pela ciência, foram descobertas no Parque Estadual das Sete Passagens, região da Chapada Diamantina, na Bahia. A informação compõe a versão preliminar do Plano de Manejo do parque, apresentada, nesta quarta-feira (14) a dirigentes e técnicos da Secretaria de Meio Ambiente do Estado (Semarh).
O plano, que também revelou a presença de cinco espécies de rãs, possivelmente novas, além de nove espécies de aves e dois tipos de primatas em extinção, foi elaborado por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (Ufba), em parceria com a Semarh. O objetivo é guiar a política pública do Governo do Estado para preservação e recuperação da área. Entre os mamíferos encontrados estão o macaco-prego-do-peito-amarelo e o macaco-guigó, espécies já conhecidas dos pesquisadores, mas raramente encontradas na natureza.
O superintendente de Biodiversidade, Florestas e Unidades de Conservação (SFC/Semarh), Marcos Ferreira, esclareceu que este é o primeiro passo para a regulamentação e elaboração do plano de manejo da área, uma das principais unidades de conservação do Estado. ""Consolidaremos o parque como Unidade de Conservação, dotando-o de infra-estrutura e pessoal, para atuar em educação ambiental e vigilância, reforçando medidas já iniciadas pelas prefeituras, com o apoio das 14 comunidades do entorno"", afirmou o superintendente.
Durante a apresentação, Marcelo Napole, professor do Instituto de Biologia da Ufba, defendeu a necessidade de preservação também da zona de amortecimento (região circunvizinha) do parque. “O manejo inadequado desta área gera impactos na alimentação e na reprodução das aves, que se deslocam em torno do parque”, justificou.
Situado nos municípios de Miguel Calmon e Jacobina, o Parque Estadual das Sete Passagens abrange 2.281 hectares, com cerca 143 espécies de aves, 25 espécies de mamíferos, 18 tipos de répteis e 17 de anfíbios até então catalogadas. No plano preliminar de manejo foram abordados ainda aspectos sócio-econômicos, de fauna e flora, sítios histórico-culturais, além do zoneamento ecológico.