O Carnaval de Salvador em 2007 presta uma justa homenagem a um dos maiores ícones vivos do samba brasileiro: Riachão. Nascido e criado no bairro do Garcia, em Salvador, onde vive até hoje, Clementino Rodrigues, desde criança, já batucava em caixinhas de fósforo, inventando repentes que agradavam a todos. Nos anos 40, ingressou no cast de artistas na Rádio Sociedade e na década seguinte, inspirado por Dorival Caymmi, gravaria seu primeiro disco, no Rio de Janeiro.
A Desenbahia, órgão que sucedeu ao antigo Desenbanco, onde Riachão trabalhou por anos, não poderia deixar este momento passar em branco e é um dos patrocinadores da Turma do Riachão, um cortejo formado por 80 pessoas, entre músicos, sambistas e compositores, que fará duas aparições durante o Carnaval: a primeira nesta quinta-feira (15), durante a abertura da festa, no Campo Grande, às 20h, e a outra no sábado (17), no Pelourinho, às 16h. Durante as apresentações o grupo vai se vestir a caráter, com direito a toalha no pescoço, boina, camiseta de malandro, calça e sapatos brancos.
Na época em que atuou no antigo Banco de Desenvolvimento, Riachão dividia seu tempo entre as tarefasa de contínuo e as prosas no corredor, regadas a sambas inesperados. Em dias de apresentações, ninguém resistia ao vê-lo passar com seu terno quadriculado e a velha toalha no pescoço, sem falar no sapato branco sempre impecável. O patrão nem ligava para os minutos, às vezes horas, fora do setor; sabia que ele deveria estar fazendo o que mais gostava: alegrando as pessoas.
“Consideramos uma decisão acertada vincular a imagem da Desenbahia a um dos seus ex-funcionários mais queridos, além de ser uma valorização das nossas raízes culturais”, afirmou o presidente da casa, Luiz Alberto Petitinga. Com justiça, o maior evento popular do planeta se rende a Riachão e o elege como seu símbolo.
Sob o tema O Coração do Mundo Bate Aqui, o Carnaval de Salvador está prestes a festejar, quiçá, seus dias mais felizes. Dias de moleque, dias de malandro antigo, dias de alegria que só um velho bamba poderia proporcionar. Dias que se tentará preservar o que a Bahia tem de mais rico: a memória de sua cultura.