Estado e prefeituras unificam esforços para enfrentar enchentes

16/09/2007

Prefeitos, secretários municipais e lideranças comunitárias do médio São Francisco participaram ontem (14) de reunião, em Bom Jesus da Lapa, convocada pelo secretário de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, Valmir Assunção. No encontro, foram discutidas as medidas emergenciais adotadas pelo governo de assistência aos municípios afetados pela enchente no Rio São Francisco.


Foi a segunda vez, desde a posse, que representantes do governo estadual visitaram a região atingida pela maior enchente, desde a grande cheia de 1992. Junto com o secretário Valmir Assunção, viajaram o coordenador estadual da Defesa Civil, Antônio Rodrigues; o diretor-geral do Derba, Luís Sérgio Martins; a diretora da Divisão de Vigilância Sanitária, Ita de Cássia e o Major Júlio Nascimento, sub-comandante do 3º Grupamento de Bombeiros Militares.


Eles passaram a manhã reunidos com representantes de cerca de dez municípios atingidos, ouviram relatos detalhados sobre a situação em cada um deles e anunciaram as próximas ações. Segundo o secretário Valmir Assunção, essas medidas de caráter emergencial precisam ser compartilhadas com as prefeituras e com os governos estadual e federal, mas já é hora de planejar a recuperação de estradas, casas e equipamentos públicos destruídos ou danificados.


O prefeito Roberto Maia, de Bom Jesus da Lapa, falou sobre a precariedade da infra-estrutura da região. Ele informou o agravamento da situação das ilhas do seu município, comprometendo quase toda a produção agrícola, e frisou a atenção que vem recebendo do governo estadual, que ""em menos de 40 dias mandou ajuda através de cestas básicas, lonas, filtros e cobertores e pela segunda vez visita a região"".


Já o prefeito de Sítio do Mato, Alfredo Magalhães Jr., destacou que
seu município figura entre os dez mais pobres da Bahia, tem 22 assentamentos da reforma agrária – parte deles já isolada por causa da destruição das estradas. Ele prevê dificuldades nas ações preventivas de saúde por contar com apenas três equipes do Programa Saúde na Família.


A prefeita de Paratinga, Amenaíde Moreira, relatou situação semelhante a de Sítio do Mato. ""Somos um município grande em território, com estradas precárias, 80% da população vivendo na área rural, e isso dificulta o trabalho da saúde"", explicou a prefeita, ressaltando que a prefeitura tem
baixíssima arrecadação própria e depende dos repasses estaduais e federais.


Emergência


Paratinga é um dos municípios em dupla situação de emergência – por causa da seca e da enchente. O prefeito de Serra do Ramalho, Carlos Caraíba, descreveu quadro idêntico. Segundo ele, apenas 15% da população vive na sede, ficando os 85% restantes distribuídos em 20 agrovilas e mais de 40 pequenos povoados.


Caraíba confirmou o recebimento 800 cestas básicas, lonas, colchões e cobertores, mas adiantou a necessidade de mais ajuda. ""Temos cerca de mil famílias precisando ser removidas, mas ainda não temos como acomodar tanta gente"", disse. O mesmo pedido fez o prefeito de Muquém do São Francisco, José Nicolau. Ele também solicitou ajuda para acomodar as famílias desabrigadas.


De Xique-xique veio o alerta sobre a situação da lagoa de contenção próxima à cidade, que passou a receber o despejo de esgoto e, com as chuvas, elevou o nível e preocupa as autoridades municipais. O possível rompimento da contenção, além de provocar alagamento, pode aumentar o risco de disseminação de doenças por causa da contaminação pelo esgoto. As mais de 50 ilhas estão alagadas e cerca de
3.500 pessoas foram removidas com o apoio de 40 lanchas alugadas pela prefeitura.


Após ouvir todos os relatos, o coordenador da Defesa Civil estadual,
Antônio Rodrigues, explicou a necessidade de as prefeituras cumprirem todas as exigências legais para que a situação de emergência seja homologada pelo governo estadual.


""Se faltar algum documento ou se os formulários não estiverem corretamente preenchidos com informações precisas e confiáveis, a ajuda federal não vem"", explicou Rodrigues. Ele confirmou o envio de 20 toneladas de feijão e outras 20 toneladas de farinha cedidas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). As Voluntárias Sociais forneceram 4 mil latas de sopa e a Secretaria Nacional de Defesa Civil já liberou mais 4 mil cestas básicas, segundo o coordenador.


A diretora da Vigilância Sanitária, Ita de Cássia, advertiu para o risco de disseminação de hepatite A, diarréias e outras doenças causadas pelo consumo de água contaminada. A Secretaria Estadual da Saúde mobilizou as diretorias regionais e preparou kits de medicamentos. Ela chamou a atenção para a necessidade de ações preventivas, com muita informação para a população atingida, especialmente os desabrigados, e frisou o cuidado especial que se deve tomar em relação à qualidade da água.


Recursos


O diretor-geral do Derba, Luís Sérgio Martins, confirmou a liberação de R$
8 milhões para obras emergenciais com o objetivo de restabelecer o transporte terrestre nas cidades hoje isoladas pelas águas, começando pela estrada que liga Carinhanha À BR-349. Quanto à BR-030, ligação com Guanambi, ele disse já ter iniciado entendimentos com o Departamento Nacional de Infra-estrutura e
Transportes (DNIT) para a recuperação da estrada.


O secretário Valmir Assunção acrescentou que tem reunião marcada com o comando do 4º Batalhão de Engenharia e Construção do Exército, sediado em Barreiras, que será mobilizado para ajudar na recuperação das rodovias da região. Ele adiantou também que as secretarias da Agricultura e da Casa Civil planejam a assistência às famílias de agricultores que perderam suas lavouras, com a distribuição de sementes.


""Precisamos estar preparados para enfrentar essa situação com esforços conjuntos e articulados porque, segundo as previsões, ainda vai chover muito e a enchente deve continuar até março ou abril"", advertiu o secretário, ressaltando que o São Francisco sempre compensou a população ribeirinha com muita fartura depois das cheias. ""Vamos dar assistência agora, mas vamos somar os esforços para recuperar a economia desses municípios quando as águas baixarem"", concluiu Assunção.