Descentralizar as ações de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) da Região Metropolitana de Salvador (RMS) e distribuí-las para o interior do Estado. Esta é uma das principais metas da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (Secti), que foi discutida hoje (dia 22), na Conferência Territorial sobre Desenvolvimento Sustentável, em Riachão do Jacuípe.
A conferência foi a primeira de uma série de nove, que até o final de março percorre os 26 agrupamentos territoriais definidos pelo Ministério de Desenvolvimento Agrário para a Bahia. De acordo com o secretário, além de descentralizar as ações da RMS, a política de CT&I não deve se restringir somente às universidades e grandes empresas como vinha acontecendo nos anos anteriores. “Ela deve se estender também à sociedade em geral. No mundo moderno, não se vive sem ciência e tecnologia, porque elas estão presentes no nosso dia a dia e hoje manda no mundo quem as tem”, disse o secretário Ildes Ferreira.
Ele falou também sobre o desafio de ampliar as ações da Secti no interior, que até então estava desamparado na política estadual. A idéia, segundo Ildes, é ouvir as demandas dos líderes e prefeituras dos territórios. “Ciência e tecnologia são bens da sociedade e ela precisa entender isso. Portanto, é preciso que haja mobilização das comunidades na organização das demandas de cada região, para que a Secti possa trabalhar e para que ciência e tecnologia se transformem em prioridades no Estado”, afirmou.
Durante o evento, representantes das prefeituras e de movimentos sociais organizados se reuniram em grupos de trabalho para levantar as prioridades locais referentes à área de CT&I. Um dos pontos de maior destaque foi sobre a demanda por tecnologia para desenvolver o trabalho das cooperativas de sisal. Outros temas recorrentes foram o melhor aproveitamento do bioma da caatinga através de pesquisas, a criação de novos Arranjos Produtivos Locais e a disponibilidade de serviços nos infocentros com foco na inclusão sócio-digital.
Os representantes dos Agrupamentos Territoriais aprovaram a iniciativa da Secti em promover as Conferências Regionais sobre Desenvolvimento Sustentável com foco no papel da Ciência, Tecnologia e Inovação. “Essa ação é o primeiro passo do que vamos construir na Bahia. Nunca uma secretaria veio aqui saber das nossas demandas”, disse o presidente da União Nacional de Cooperativismo de Crédito de Economia Familiar e Solidária (Unicafes), José Paulo Ferreira.
De acordo com o presidente do Agrupamento Territorial do Sisal, Gabriel Neto, a reunião é um marco para o desenvolvimento local, pois abre espaço de diálogo com a sociedade. “O Estado agora passa a trabalhar com os agricultores locais e o mais importante é que o secretário já conhece as nossas necessidades”, disse.
“Estamos trabalhando há cinco anos com as potencialidades da região, tentando construir uma base para o desenvolvimento local e o apoio da secretaria neste momento é muito importante”, afirmou o presidente do Agrupamento Territorial da Bacia do Jacuípe, Valcyr Rios.
Participaram do evento, que aconteceu no auditório do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da cidade, prefeitos, vereadores, secretários municipais, líderes comunitários e sindicalistas rurais das 30 cidades que compõem os Agrupamentos Territoriais da Bacia do Jacuípe e do Sisal.