CRA continua monitorando mortandade de peixes em Cabuçu

16/09/2007

O Centro de Recursos Ambientais (CRA) continua com equipes da Diretoria de Fiscalização e Monitoramento Ambiental, em Cabuçu, município de Saubara, no recôncavo baiano. Na manhã de ontem (12), o técnico do CRA Jorge Salomão, acompanhado de analistas do Cetind-Senai, recolheram amostras dos peixes mortos e da água do mar para verificarem se, além a mortandade devido aos explosivos, algum outro resíduo químico vem causando a morte das espécies.


Este final de semana aconteceu a prisão de um pescador pela Polícia Civil e apreensão dos explosivos que ele portava. As equipes do CRA também permanecem no local e ainda monitoram resíduos provenientes de uma fábrica de papel que existe na região, assim como dos criatórios de carcinicultura, dos manguezais das cercanias e do gasoduto da Petrobras.


Segundo a coordenadora de Fiscalização, Carla Fabíola, o fato de ainda aparecerem peixes mortos e a prática da pesca de bomba estar sob controle policial, pode indicar que outros motivos também causaram o acidente ambiental. Também está programado acontecer um sobrevôo na região esta tarde para proceder a análise mais apurada da ocorrência.


Em ação conjunta com a Delegacia de Polícia Civil de Saubara, fiscais de plantão do CRA estão desde a tarde de quinta-feira, dia 8, em Cabuçu. Após rondas no mar, na sexta-feira passada, dia 9, sete embarcações foram apreendidas e 24 pescadores detidos para averiguações, sob suspeita de terem dizimado milhares de peixes com explosivos.


Logo que a denúncia chegou à Assessoria de Comunicação do Centro de Recursos Ambientais (CRA), à tardinha do dia 8, duas equipes do Plantão de Emergência do órgão fiscalizador se deslocaram de imediato para vistoriarem a área, atendendo aos apelos dos moradores que não estavam suportando o mau cheiro, devido a grande quantidade de peixes mortos.


Eles começaram a aparecer nas praias no último dia 6 e grande parte das espécies estava sendo enterrada pelos moradores da comunidade devido ao desconforto que o odor estava causando.


Operações


As operações de campo, acompanhadas pelo químico Marco Antônio e em Salvador pela bióloga, Carla Fabíola, da Coordenação de Fiscalização e Monitoramento Ambiental, identificou em uma área de cerca de 4 km de praia, milhares de espécies mortas de xangó, xaréu, robalo, tainha e carapeba, devido à intensidade da pesca de bomba danificando por demais o eco sistema da região.


A ação criminosa está sujeita a sanções impostas pelo Ibama, CRA e Polícia de Proteção Ambiental (Coopa) e Polícia Civil. O CRA ainda articulou à Capitania dos Portos sobre as irregularidades para que as providências cabíveis sejam tomadas.


Os moradores de Cabuçu e Saúbara estão indignados e denunciam que os pescadores que cometeram este crime ambiental são do município de Salinas da Margarida, das localidades de Barra do Paraguaçu, São Roque e Encarnação. Segundo eles, práticas criminosas dessa natureza aumentam devido à proximidade da Semana Santa, pois os pescadores no intuito de vender os peixes aos barraqueiros da região e ainda nas peixarias, acabam por praticar atos de vandalismo.


A equipe do Plantão Ambiental do CRA, coordenada nesta ação pelo químico Marco Antônio, e que pode ser solicitada pelo telefone 0800711400, tem estado diariamente em Cabuçu para inibir novas investidas com explosivos.