A soja é o principal produto agrícola da pauta de exportações da Bahia. Em 2006, foram produzidos 2,248 milhões de toneladas de grãos, contra 1,991 milhão em 2005, o equivalente a um crescimento de 12,8%. Os números também confirmam um aumento de 15,7% na produtividade. Este ano, cada hectare já produziu 2.640 quilos de soja, enquanto o mesmo período do ano passado alcançou a marca de 2.282 quilos. Ao mesmo tempo, a área plantada foi reduzida e 870 mil hectares para 850 mil hectares, o que atesta o avanço técnico da agricultura baiana.
Os dados foram apresentados sábado (17), durante a Passarela da Soja 2007, evento realizado na Fazenda Maria Gabriela, em Roda Velha, distrito do município de São Desidério, no oeste baiano.
Promovido pela Fundação Bahia e Embrapa Soja, com apoio da Associação de Agricultores Irrigantes da Bahia (Aiba), o evento contou com a participação de 1,2 mil produtores não apenas da Bahia, mas também de estados como Goiás, Piauí e Tocantins.
Nos cerca de 12 estandes, projetos de pesquisa foram apresentados e diversas palestras foram proferidas sobre vários temas, como novos cultivares, melhoramento genético no cerrado baiano e pragas na cultura da soja.
A Passarela da Soja chegou à sua nona edição e pela primeira vez contou com a presença de um governador. Jaques Wagner visitou o local pela manhã, acompanhado pelo secretário da Agricultura, Geraldo Simões.
Um dos principais temas discutidos no evento foi a ferrugem asiática, uma praga que maltrata a produção e é combatida há cinco anos pela Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), por meio de um programa de manejo estratégico que é considerado o mais completo e eficiente do país.
Em 2006, a Bahia registrou o menor número de casos da doença (provocada por fungo) no Brasil. De acordo com o diretor-geral da Adab, Altair Santana de Oliveira, a praga não é eliminada, e sim controlada, o que tem sido feito desde 2003. “O programa se tornou um exemplo para o Brasil e representou um aumento de 48% na rentabilidade dos produtores baianos”, destacou.
O controle químico da ferrugem asiática se dá basicamente pela aplicação de fungicida duas vezes ao ano, evitando maiores estragos na plantação. Por conta do eficiente controle, espera-se que a Bahia colha mais de 50 sacas por hectare este ano.
“A previsão é animadora, porque em 2002, quando a praga foi detectada, tivemos menos de 25 sacas colhidas por hectare. No ano passado, foram cerca de 48 sacas”, informou Altair, explicando que a ferrugem asiática ataca a soja, causando a desfolha precoce e impedindo a completa formação dos grãos e a redução na produtividade.
O governador festejou o fato de o programa de controle de a Bahia ser considerado um exemplo para todo o país. “Isso mostra a força da produção agropecuária do oeste baiano”, declarou.
Ele disse que a sua presença na Passarela da Soja evidencia a sua disposição em se mostrar um parceiro dos produtores. “Estamos lado a lado, superando as dificuldades e trabalhando para aumentar ainda mais a produção e a geração de riqueza, emprego e renda. Hoje, ninguém produz em nenhum ramo de atividade sem acompanhar as inovações da tecnologia e da pesquisa. E é isso que está sendo feito aqui neste evento”, afirmou.
Importância da cultura
Os produtores participantes ressaltaram a importância da cultura da soja para a região. O chinês Ma Ming Kwore, que morava no Rio Grande do Sul e veio para a Bahia em 1988, quando iniciou o cultivo de 4 mil hectares do produto no estado, foi um deles. Formado em Engenharia Química na China, ele acredita que o treinamento oferecido no evento é fundamental para a melhoria da produção.
O também produtor Jéferson Vital trabalha com soja há dois anos, quando deixou a cidade de Chapadão do Sul, no Mato Grosso do Sul, para se dedicar à atividade. Desde então, ele participa do evento e a cada ano aprende inovações referentes ao plantio.