Cresce taxa de ocupação do Hospital Couto Maia

16/09/2007

A taxa de ocupação do Hospital Couto Maia, localizado no bairro de Monte Serrat, aumentou em 40 % no ultimo mês de fevereiro. Nos dois primeiros meses do ano passado, a unidade fez 50 internamentos a cada mês. Este ano, em janeiro, o hospital internou 71 pacientes e, em fevereiro, foram 70 internamentos. Além da ampliação nos atendimentos e nas internações, houve o aumento no número de leitos para o tratamento da Aids, que passou de 10 para 15. Todas essas mudanças são conseqüências do projeto desenvolvido pela nova gestão da unidade, com o objetivo de otimizar mais os serviços do hospital.


Segundo Ceuci de Lima Nunes, diretora do hospital, com o aumento da taxa de ocupação, a unidade prestará assistência a um número maior de pacientes, colaborando com a rede hospitalar do estado e diminuindo a quantidade de pessoas que são encaminhados aos hospitais de “frente” como o HGE e outras unidades de emergência.


Ela destacou que é importante aumentar o número de internamentos, mas a taxa de ocupação não pode ser 100% . “Temos que sempre ter vaga para receber pacientes que precisam de isolamento. Não podemos deixar de receber um paciente com alguma doença infecciosa”, explicou.


Ceuci afirmou que a unidade estava sendo subutilizada. “Existia uma demanda reprimida da população. O hospital tem capacidade de atender e resolver essas solicitações. Temos condições de garantir o atendimento com bons profissionais, alimentação, roupa de cama e medicação”, disse a diretora. A médica ressaltou que as campanhas de vacinação e os avanços tecnológicos na área da saúde, também colaboraram para a diminuição das doenças, que, historicamente, eram tratadas no Couto Maia.


“Por exemplo, a vacinação contra o Haemophilus inflenzae, bactéria que causa uma das meningites, que pode ser aplicada a partir do segundo mês de vida e é fornecida de graça em qualquer posto de saúde, diminuiu os casos de meningite. Como conseqüência da prática de vacinação, hoje não temos quase nenhum caso de difteria, sarampo e tétano”, destacou a médica.


Ela explicou que a taxa de ocupação reflete as especificidades da unidade. “Criamos uma cultura em que o Couto Maia só atende pacientes com pneumonia, gastrenterites, infecções do trato urinário e Aids. Fizemos uma parceria com a Central de Regulação estadual para regular e encaminhar pacientes de diversas doenças infecciosas de outras unidades”, disse a diretora. Atualmente, o hospital trata também de infecções da pele, febres de origem indeterminada, Paraparesia Espástica Tropical (HAM/TSP) de início recente ou crônica, Mieletes transversas e Síndrome de Guillan Barre.


Campo de estudo e pesquisa


Além da assistência que presta à população acometida de doenças infecto-contagiosas e parasitárias, o Couto Maia possui um Centro de Estudos de Infectologia Pediátrica, vinculado à Comissão de Ensino e Pesquisa e ao Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Ufba.


O centro tem como objetivo normatizar, organizar, estimular e promover ações de ensino e pesquisa em infectologia, na área pediátrica. Além disso, recebe residentes da área de pediatria e mantém uma Comissão de Ética e Pesquisa. O HCM é também campo de estágio para alunos da Ufba e da Escola Baiana de Medicina.


A unidade possui 101 leitos para pediatria e clínica médica, contando com pronto-atendimento, UTI, laboratório de análises clínicas e um Centro de Referência em Imunobiológicos Especiais (Crie). Além disso, distribui medicamentos para o tratamento da Aids. Fundado em 1853, como Hospital de Isolamento, o Couto Maia recebeu o atual nome em 1936, como homenagem ao médico Augusto Couto Maia, que dirigiu a unidade durante mais de 20 anos.


Desde a sua construção, para abrigar vítimas da epidemia de febre amarela que assolava a cidade, o Couto Maia tornou-se referência na área de doenças infecto-contagiosas, enfrentando grandes epidemias que assolaram a Bahia – de cólera, peste bubônica, gripe espanhola, varíola, febre amarela e, mais recentemente, dengue.