Os municípios da 16ª Diretoria Regional de Saúde (Dires), com sede em Jacobina, serão os primeiros contemplados, este ano, com o projeto de descentralização das ações de toxicovilância, iniciativa da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), através do Centro de Informações Antiveneno (Ciave).
Nos próximos dias 28 e 29, em Jacobina, acontecem dois eventos – um curso de prevenção e controle de intoxicações exógenas e o Seminário de Urgências Toxicológicas. A capacitação é voltada a profissionais dos programas de agentes comunitários de Saúde e de Saúde da Família, centros de controle de zoonoses e secretarias municipais de Saúde, médicos e enfermeiros emergencistas.
A diretora do Ciave, a toxicologista Dayse Schwab, explica que o projeto de descentralização das ações de toxicovigilância foi iniciado há seis anos, com a finalidade de divulgar e padronizar condutas relativas às intoxicações exógenas, através da capacitação de profissionais dos níveis médio e superior para a prevenção, diagnóstico e condutas para o tratamento de pacientes intoxicados.
As ações incluem também a implantação de bancos de dados nos municípios já atendidos pelo projeto e de bancos de antídotos específicos nos hospitais de referência das regionais. Desde o início do projeto, foram capacitados cerca de 4 mil médicos e enfermeiros emergencistas e mais de 8 mil agentes comunitários de saúde. Para este semestre, já estão programados treinamentos nas regionais de Bom Jesus da Lapa, Barreiras, Brumado e Boquira.
O aumento na ocorrência de intoxicações por raticidas clandestinos comercializados ilegalmente, em especial o “chumbinho”, a partir de 1999 – em 2000 foram 748 intoxicações e 36 óbitos e no ano seguinte, 1154 intoxicações e 40 óbitos –, foi um dos fatores desencadeantes do projeto de descentralização das ações do Ciave, que buscou a parceria de outros órgãos, entre eles as secretarias da Agricultura e de Segurança Pública e também fabricantes do Temik (chumbinho), a fim de coibir a comercialização ilegal do produto.
A diretora do Ciave revela que os investimentos feitos na capacitação de médicos e enfermeiros que atuam nas emergências e de agentes de saúde, aliados às ações de fiscalização e controle da venda clandestina desses produtos resultaram na redução dos casos de intoxicações e no melhor prognóstico dos pacientes intoxicados atendidos em unidades de saúde.
Centro de Excelência
O Ciave, unidade da Sesab, é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um “centro de excelência em toxicologia no país”. Segundo serviço de toxicologia do Brasil a integrar o Sistema Nacional de Informações Toxicológicas, o centro é responsável pelo fornecimento de informações toxicológicas para a Bahia e outros estados do Nordeste, orientação, diagnóstico e terapêutica de pacientes intoxicados.
Além disso, realiza análises toxicológicas de urgência, identifica animais peçonhentos e plantas venenosas, controla e mantém bancos de antídotos, além de participar da Comissão de Clínica e Terapêutica do Programa Nacional de Acidentes por Animais Peçonhentos da Fundação Nacional de Saúde.
No ano passado, o serviço atendeu a um total de 6.550 pacientes intoxicados, através de orientação e atendimento toxicológico. Foram contabilizadas também 4.490 orientações telefônicas e 998 atendimentos de urgência a pacientes nas unidades do Hospital Roberto Santos, além de 735 consultas de acompanhamento psicológico.
Também no ano passado, o Ciave identificou 186 animais peçonhentos e plantas tóxicas para auxílio diagnóstico de acidentes e distribuiu 4.503 unidades de antídotos específicos e 29.775 ampolas de soros antipeçonhentos.