A primeira Rodada de Temas Estratégicos, realizada pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria de Planejamento (Seplan), esta semana, despertou olhares para as potencialidades da economia baiana. Foi o primeiro encontro entre secretarias, em que foram discutidos os papéis da indústria, comércio e serviços para o desenvolvimento sócio-econômico.
Os colaboradores apontaram oportunidades de expansão, sublinhando as vocações da Bahia e o impacto que investimentos em educação e saúde podem trazer para a economia dos municípios. As rodadas continuam amanhã ( 22) na SEI, com o tema Agricultura na Bahia. Os convidados vão discutir agricultura familiar, infra-estrutura de produção e comercialização, formação de cadeias de atividades, agroindústria e novas oportunidades de negócios.
“Estamos aplicando o conceito da transversalidade, promovendo a intercomunicação entre órgãos e secretarias, para fomentar a construção de políticas alinhadas com o plano estratégico do Governo e que evitem a duplicação de esforços”, disse o diretor-geral da SEI, o sociólogo Geraldo Reis.
Entre os desafios citados no primeiro encontro, está a descentralização territorial das ações do Estado que visam alcançar resultados na área social, com ênfase no semi-árido. “Na história, todos os ciclos econômicos que a Bahia viveu foram centralizadores. Mas para gerar emprego, é preciso descentralizar”, alertou Antônio Celso Pereira Filho, superintendente de comércio e serviços da Secretaria da Indústria Comércio e Mineração (Sicm).
Pereira chamou atenção para os pequenos e médios investidores que atuam sobretudo nas áreas de serviços e comércio e são os principais dinamizadores das economias locais, pois criam postos de trabalho e são os maiores arrecadadores de ICMS. “Não vamos jogar fora os grandes investimentos realizados até aqui, mas é preciso dar atenção aos pequenos empreendedores”, comentou.
Os repasses e transferências às prefeituras, assim como investimentos sociais, também se convertem em movimento na economia. Paulo Henrique de Almeida, superintendente de cultura e desenvolvimento socio-econômico da Secretaria de Cultura, deu como exemplo a cidade de Jequié, onde o Bolsa Família gera mais impacto do que a instalação de uma indústria de sapatos. Outro modelo bem sucedido foi a transformação de Vitória da Conquista em cidade universitária, com a residência de cerca de 12 mil estudantes vindos de 259 cidades baianas. O investimento em educação desencadeou outros serviços e ampliou o comércio, com shopping center, cinemas, incremento do transporte público, vendas de supermercados, etc.
A inserção da Bahia no mercado internacional também entrou na pauta. O economista da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal da Bahia (FCE/UFBA), Hamilton Ferreira Jr., sinalizou o modelo do Chile como exemplo para a Bahia. A estratégia do país sul-americano foi agregar valor ao seu produto primário. “Sem a Petrobrás, o complexo da indústria química e a Ford, a Bahia é essencialmente exportadora primária. Acontece que podemos vender recursos naturais intensivos em tecnologia, como o Chile faz, e como já acontece com a produção de vinho do Vale do Rio São Francisco. Por exemplo, nós produzimos cacau e não há uma fábrica de chocolates no baixo-sul”.
A Rodada de Temas Estratégicos terá mais três encontros, com a participação de representantes da Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia), Secretaria da Indústria Comércio e Mineração (Sicm), Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), Casa Civil, Secretaria de Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir), Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur) e Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), além da SEI e Seplan.