As perspectivas de desenvolvimento sustentável e includente na Bahia foram tema de um encontro ontem (12), na Governadoria, entre o governador Jaques Wagner e o economista e sociólogo Ignacy Sachs, consultor do Sebrae na Bahia e professor da Escola dos Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris.
Autor de vários livros sobre o assunto, o especialista conversou com Wagner sobre o papel que a agroenergia pode desempenhar no futuro e ressaltou a importância de novas matrizes energéticas, como o etanol, o biodiesel e o carvão vegetal certificado social e ambientalmente.
O professor falou sobre a necessidade de compatibilizar a potencialidade do Brasil em agroenergia com a segurança alimentar e a proteção das florestas nativas, não permitindo que o novo ciclo de desenvolvimento da agroenergia venha repetir a experiência do Proálcool.
“O programa foi bastante positivo do ponto de vista tecnológico e muito proveitoso economicamente, mas resultou numa concentração de terra e de riqueza no país”, sustentou Ignacy Sachs, acrescentando que a América Latina tem uma longa experiência de desenvolvimento concentrado e excludente, o que não é desejável.
Para ele, o ideal é possibilitar que o novo boom “agroenergético” seja uma oportunidade de avançar para um modelo desconcentrador e includente. “A Bahia se mostra muito importante nesse sentido, pois é o estado brasileiro com o maior número de biomas e poderia ser um grande protagonista desse debate mundial”, salientou, dando um exemplo nessa direção ao referir-se ao Pólo de Camaçari.
Segundo Ignacy Sachs, o pólo dá sinais de interesse no avanço da descarbonização de suas atividades. “Seria extremamente interessante, porém, que essa descarbonização financiasse o plantio de florestas produtivas consorciadas com outras atividades agrícolas, de maneira a evitar a monocultura, como aconteceu com o eucalipto”.
Ele explica que o eucalipto é de grande importância para a economia baiana como fonte de matéria-prima para papel, celulose, carvão vegetal e derivados de madeira, “mas seria interessante fazer da produção uma alavanca para o desenvolvimento rural integrado, através de contratos de fomento aos pequenos produtores”. Como consultor do Sebrae, ele afirma que esse é um dos projetos que estão surgindo na Bahia.
Após o encontro com o governador, Ignacy Sachs participou hoje (13) do seminário Agroenergia e o Desenvolvimento Includente e Sustentável, realizado no Bahia Othon Palace Hotel, em Ondina. Ele proferiu a palestra Os Desafios da Integração dos Agricultores Familiares e dos Empreendedores de Pequeno Porte na Produção de Biocombustíveis.
Nascido na Polônia em 1927, o economista e sociólogo Ignacy Sachs chegou ao Brasil como refugiado da Segunda Guerra Mundial. Antes de iniciar carreira internacional, viveu e estudou no Rio de Janeiro. Entre os eventos de que já participou, ele trabalhou na organização da Primeira Conferência de Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, a Estocolmo 72, realizada na Suécia. Hoje, Sachs mora na França e está em visita à Bahia há duas semanas.