As questões ambiental e turística do estado foram o foco das discussões do encontro de ontem (12) da segunda Rodada de Discussão de Temas Estratégicos, realizada pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento (Seplan). Na oportunidade, expositores das secretarias de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) e de Turismo (Setur) apresentaram os atuais estados de suas pastas e discutiram formas de integração de suas atividades.
Os convidados concordaram que a fusão de conhecimentos ambiental e social é necessária para a elaboração de um modelo sustentável. “Não há ainda consenso sobre o que seja desenvolvimento sustentável. Por isso temos de consultar a sociedade, saber o lugar dos cidadãos, dos trabalhadores, dos negócios em relação ao meio ambiente”, disse o assessor especial da Semarh, Murilo Philigret. O semi-árido é prioridade das ações de desenvolvimento. A região ocupa 47% do território baiano, abrigando cerca de 6 milhões de pessoas, e encontra-se bastante alterada pelo desmatamento ao longo de rios, com finalidade agropecuárias. Lá, se encontra a maior parte dos 309 mil hectares irrigados do estado e o desmatamento para criação de gado chega a 33 mil hectares.
Uma das etapas fundamentais rumo ao desenvolvimento sustentável é a implementação do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE). “Trata-se de um instrumento que possibilita recuperar uma visão de conjunto de aspectos diversos do estado, bem como subsidiar políticas autônomas para uso estratégico do território”, explicou a diretora de Planejamento e Integração de Ações Ambientais da Semarh Maria Ogata. O programa faz um levantamento das atividades produtivas mais destacadas em cada região e elabora um quadro de perspectivas. “A ‘zona’ descreve a atividade econômica principal do local, o que não quer dizer que não existam outras”, disse a diretora. Na Bahia, já existe um banco de dados com informações sobre o oeste, o litoral norte e o extremo sul. As prioridades atuais são a Região Metropolitana de Salvador, o semi-árido e a região cacaueira.
O turismo deve ser repensado de acordo com as novas diretrizes estratégicas da Bahia. “A questão ambiental é fator de competitividade, um diferencial importante que temos em relação a muitas partes do mundo”, disse a assessora da Setur Inês Garrido. Ela apresentou um modelo de exploração da atividade turística do estado baseado em roteiros temáticos e expôs alguns dos objetivos preliminares da pasta: associar o turismo ao desenvolvimento das regiões, promoção de qualificação profissional e empresarial e interiorização do fluxo turístico.
“Nossa visão do desenvolvimento sustentável ainda é ‘idílica’. Temos de reconhecer que vivemos numa sociedade de consumo, e pensar a questão ambiental nesses moldes. Nosso desafio é fazermos diferente”, alertou o diretor-geral da SEI, Geraldo Reis.
Além da SEI, da Semarh e da Setur, participaram da conversa representantes das secretarias do Planejamento (Seplan), Agricultura (Seagri), Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), Infra-Estrutura (Seinfra), Trabalho (Setre), Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir), Comércio, Indústria e Mineração (SICM) e Casa Civil.