A literatura de cordel, os escritores baianos e as publicações das universidades estaduais contam com estandes especiais na 8ª Bienal do Livro da Bahia. A feira, que foi aberta hoje (13) e prossegue até o dia 22, no Centro de Convenções, abriga ainda o Espaço do Livro Baiano, onde novos autores terão a oportunidade de divulgar seus trabalhos.
Outra novidade do evento em 2007 é a instalação de salas de videoconferência em 40 municípios do interior baiano através das quais estudantes poderão ser acompanhar ao vivo as palestras, mesas-redondas, exposições e atividades pedagógicas da bienal.
“Em tempos de tanta luta a favor da educação e da alfabetização é importante incentivar os jovens à leitura. Ainda temos um grande contingente de analfabetos e evidentemente o livro é o principal atrativo para que essas pessoas queiram se alfabetizar”, afirmou o governador Jaques Wagner, ao participar da abertura do evento, que presta homenagem a Portugal em comemoração ao bicentenário da abertura dos portos brasileiros às nações amigas.
O governo estadual patrocina a iniciativa através das Secretarias da Educação, Fazenda e da Cultura e Turismo. Uma parceria entre a Fundação Pedro Calmon, SEC e Sefaz permite que os estudantes das escolas públicas troquem dez notas fiscais por vales-livros no valor de R$ 5. Os diretores das escolas é que vão fazer a troca das notas por vales-livros, na Diretoria Regional de Educação (Direc), do Instituto do Cacau - no Comércio - e entregar aos alunos. As escolas públicas estaduais receberão 35 mil vale-livros e as escolas municipais 15 mil.
O evento reúne 350 expositores em 150 estandes. A edição baiana é considerada a terceira maior do país e a expectativa é que 255 mil pessoas visitem o local. O horário de visitação é das 10 às 22hs e o ingresso custa R$ 6, sendo que metade desse valor é utilizado como bônus em compras nos estandes.
Para a advogada Midiam Caldas, 23 anos, a bienal é uma boa oportunidade para comprar livros antigos com o preço mais baixo. Ela e o namorado Rodrigo Oliva, que costumam ler cerca de cinco livros por ano, compraram 15 livros no primeiro dia de Bienal e pretendem voltar pelo menos mais duas vezes. “A feira é um bom programa cultural e de lazer ao mesmo tempo. Aqui a gente se diverte enquanto adquire conhecimento”, disse a comerciaria Shirley Dantas, acompanhada das duas filhas de 9 anos que já tinham escolhido três livros didáticos e de história.
Valorização
Em espaços como o Cordel, onde o destaque é a cultura nordestina, o público conhecerá manifestações artísticas ligadas à literatura de cordel, poesia improvisada e ainda uma exposição de folhetos de cordel.
O Espaço do Livro Baiano é voltado para autores das diversas regiões do estado que não têm oportunidade de divulgar seus trabalhos. Para participar os escritores podem fazer suas inscrições durante o evento, até quando houver disponibilidade no espaço físico do estande. Os lançamentos vão ocorrer das 16h às 20h, diariamente.
Um dos destaques do Espaço do Livro Baiano é a escritora Jardilina de Santana Oliveira, advogada, sexóloga, escritora e membro do Conselho de Mulheres Advogadas da OAB. Com 80 anos de idade, Jardilina é engajada na luta dos direitos das mulheres, contra todas as formas de violência e discriminação. No dia 13 às 16h h, a escritora lançará seu livro Educação Sexual - Família e Direitos da Mulher.
Em seu primeiro livro publicado, o jovem escritor Peter Ângelo vem chamando atenção dos amantes das histórias de aventura, cheias de ação, lendas e tramas fabulosas. Em A Arca de Zandrus - O Guardião, o autor recria as histórias vividas pelos jogadores de Roler Player Game (RPG). Nascido em Itabuna, Peter Ângelo é graduando do curso de Letras, da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e atua como educador em projetos sociais.
A cultura popular também marca presença com o lançamento da terceira edição Dicionário de Baianês, de Nivaldo Lariú. A publicação teve 140 mil exemplares vendidos e foi novamente impressa pela Empresa Gráfica da Bahia (Egba). A publicação sai com 1,3 mil verbetes, 500 a mais que a primeira, lançada em 1992. O lançamento da edição ampliada e revisada do dicionário acontece no dia 19, às 18h, no estande da Egba.
A Editora da Universidade do Estado da Bahia (Eduneb), instituição responsável pela coordenação do estande coletivo das editoras das universidades estaduais, trouxe para a mostra livros acadêmicos, com resultados de pesquisas em diversas áreas e obras literárias.
“Durante os 10 dias da bienal, disponibilizaremos as publicações com um preço mais acessível que o normal e estaremos dando descontos na venda”, diz, que tem como diretora da Associação Brasileira de Editoras Universitárias (Abeu), na região Nordeste, a professora Nadja Bittencourt.