Balanço financeiro da Ebal aponta prejuízo de R$ 620 mi

16/09/2007

O prejuízo total de R$ 620 milhões acumulado entre 1997 e 2006, pela Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que administra as lojas da Cesta do Povo, inclui um passivo oculto de R$ 200 milhões, dos quais R$ 178 milhões são referentes a dissídios coletivos não cumpridos. A Ebal não pagava os aumentos acordados com os sindicatos.


O resultado de um balanço financeiro completo, executado pela nova administração, foi apresentado hoje (18), pelo presidente da Ebal, Reub Celestino, em seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), criada pela Assembléia Legislativa para apurar a causa da crise financeira da Ebal.


O prejuízo da Ebal inclui ainda um rombo de R$ 4,5 milhões decorrente da inadimplência dos usuários do cartão Credicesta – fornecido pela empresa para os funcionários públicos, pessoal contratado através do Reda e ocupantes de cargos comissionados. Desse total, R$ 4 milhões correspondem ao não pagamento por parte dos Reda.


O presidente da empresa acredita que a inadimplência por parte do Reda foi facilitada pela falta de coordenação entre a Ebal e a Secretaria de Administração, responsável por debitar do contracheque dos funcionários os valores das compras efetuadas nas lojas. “Ao final do contrato, as compras efetuadas no mês anterior não tinham como ser cobradas e a Ebal não tinha como gerenciar se o contrato estava perto do vencimento. Estamos estudando uma forma de fazer essa cobrança”, disse o presidente da empresa.


CPI


Ele acredita que a falta de pagamento dos fornecedores e a conseqüente perda da credibilidade da empresa junto a eles foi o motivo de um acréscimo de até 20% no preço original dos produtos. “Sem a garantia de recebimento e sem ter o valor corrigido por juros os empresários acabem tendo no aumento a única alternativa para sanar o prejuízo”, concluiu. A nova administração está determinada a só trabalhar com fornecedores que ofereçam descontos e preços abaixo da margem do mercado. “Temos que restabelecer a capacidade de negociação da Ebal”, disse Reub.


Uma cópia da apresentação do presidente foi entregue a cada um dos oito membros da comissão. Ao mesmo tempo em que mostra um déficit da Ebal entre fornecedores, INSS e dívidas trabalhistas, e um prejuízo de R$ 305 milhões acumulado somente no ano passado, o relatório apresenta um crescimento substancial em publicidade em 2006. Somente com o Carnaval e patrocínios culturais, a Ebal gastou R$ 17 milhões em 2006.


A queda de faturamento da empresa se deu a partir de 2003 quando chegou a R$ 492.282. Em 2006, não ultrapassou R$ 293 milhões. O número de atendimentos também caiu. Em 2003, foram realizados 38.753 atendimentos contra 20.167 no último ano. O presidente garantiu que o trabalho para recuperar a empresa é estimulado pelo seu alcance social e anunciou para breve a reabertura de mais 70 lojas, que se somarão às 184 que já voltaram à atividade. Com apenas duas semanas de reabertas essas lojas já atraíram 700 mil pessoas.


“A viabilidade da Cesta do Povo está relacionada com a forma de gerir. Se mantivermos ela com uma integridade organizacional, administrativa, protegida de desvios, desmandos e ingerências ela será viável”, afirmou Reub.


A reunião da comissão, presidida pelo deputado Arthur Maia, durou mais de três horas. Além dos oito deputados inscritos a quarta reunião da CPI atraiu outros deputados da casa. A eles, o presidente esclareceu as medidas que estão sendo tomadas para restabelecer a sanidade financeira da empresa. Foram feitos cortes nos custos operacionais de 56%. Isso inclui a redução de despesas com carros, aluguel de imóveis, telefones, água e pessoal.


Das 1,2 mil linhas telefônicas restam 700 e em relação ao aluguel dos imóveis onde funcionam as lojas ficou estabelecido que eles não devem ultrapassar 1,5% do faturamento da loja. “Havia casos em que o aluguel absorvia 4% do faturamento”, disse Reub.


“O depoimento do presidente mostrou alguns pontos que merecem uma investigação como a questão da publicidade e o preço das aquisições da Ebal. Isso somado às documentações de auditorias vindas do Tribunal de Contas e da Auditoria Geral sinaliza para linhas de investigação que estamos aprofundando. A tendência é que haja um afunilamento dessas questões”, disse o presidente da comissão, Arthur Maia.