Quanto mais rápida for a intervenção melhor será o resultado. O princípio, aplicado por médicos e policiais, atesta a importância de uma ação imediata em casos de emergência. Na Bahia, a agilidade no salvamento de vítimas e policiamento ostensivo cresceu com a implantação do Grupamento Aéreo da Polícia Militar (Graer). Em quatro meses de operação, o grupo foi responsável direto pelo salvamento de 18 vidas e participou de 491 operações, além do trabalho diário de patrulhamento preventivo feito em Salvador.
“Com a criação do Graer tivemos um aumento da capacidade de presença real e potencial da polícia. A população tem a certeza de que se a PM não está no local do incidente naquele instante ela se fará presente em pouco tempo. Isso aumenta a credibilidade na instituição”, afirmou o oficial de segurança de vôo, Capitão Lima. O capitão destaca também que a presença do helicóptero é capaz de inibir delitos. “É um trabalho de prevenção que não pode ser mensurado”
Os dois helicópteros e dois motoplanadores do Graer são usados diariamente em Salvador para checar ocorrências graves e ver qual a necessidade de efetivo, viaturas ou equipes especializadas. A ação gera economia com deslocamentos desnecessários de equipes e também maior eficiência. Os helicópteros estão configurados para missões dos mais variados tipos e são dotados de equipamentos de UTI, de combate a incêndio, salvamento aquático, policiamento e transporte de passageiros.
Dados da Coordenadoria de Operações Policiais Militares (Cordop) apontam que seria necessário dobrar a frota atual de veículos para que as solicitações dentro da capital tivessem uma resposta em até dez minutos. “Com as aeronaves nós conseguimos chegar a qualquer ponto da cidade em no máximo seis minutos, entre preparação e decolagem”, disse o oficial de vôo, Capitão Gouveia.
O trabalho do grupamento ficou mais conhecido pela população após a atuação durante o Carnaval, quando ficou responsável pelo monitoramento dos circuitos oficiais e bairros onde houve atrações, das praias e do entorno da festa. O monitoramento das praias impediu que os ladrões escondessem o furto nas areias e aproveitassem o local como esconderijo e ponto de venda de drogas.
Essa ação foi possível porque as aeronaves contam com holofotes capazes de iluminar um estádio de futebol. Em locais de baixa visibilidade é ativado o imageador térmico, equipamento que emite raios infra-vemelhos que identificam pontos térmicos de maior temperatura, ampliando a eficiência em ações como perseguição policial em meio a matas e salvamento aquático.
Interior
O grupamento, que está provisoriamente instalado em um hangar na Empresa Baiana de Transporte Aéreo (Ebta), ao lado do aeroporto, atua em todo o estado. Ele já realizou operações em Vitória da Conquista, Ilhéus, Vera Cruz, Valença, Itaberaba, Lençóis, Juazeiro, Ibotirama, Feira de Santana e Nova Viçosa.
No mês passado, cinco vítimas de um acidente de automóvel ocorrido na Ilha de Itaparica, foram trazidas a Salvador por dois helicópteros Graer. O deslocamento que demoraria cerca de 45 minutos via ferry boat aconteceu em menos de 10 minutos. As vítimas foram transportadas do local do acidente até o heliponto do Departamento de Polícia Técnica (DPT), no Vale dos Barris, de onde seguiram para o Hospital Geral do Estado (HGE), em ambulâncias do Samu e do Salvar, do Corpo de Bombeiros.
O Graer foi informado do acidente através da Central Única de Telecomunicações da Secretaria de Segurança Pública (Centel). O grupamento está conectado a todo sistema de segurança pública e tem acesso direto às ocorrências registradas no 190 e canal direto com o Samu.
Também em março, um helicóptero foi deslocado para Porto Seguro para ajudar na recaptura de 51 presos fugidos da penitenciária. Nos três dias em que permaneceu na cidade, o Graer foi responsável direto pela captura de 20 deles.
Os 60 policiais que compõem o grupo receberam treinamento adicional em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Uma particularidade do grupamento baiano é que todos os seus pilotos são especialistas em segurança de vôo pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).