Estratégias de inclusão e de autonomia social, econômica e política para as mulheres agricultoras, no contexto familiar e dos assentamentos rurais, foram definidas no seminário Mulher Rural: Profissão Agricultora, que terminou hoje (25), na Universidade Federal da Bahia, em Ondina. Durante o encontro, foi divulgado um relatório contendo o processo de capacitação e validação metodológica do Projeto Especial de Formadores para Participação das Mulheres no Mundo do Trabalho e ainda um manual de orientação e uma cartilha.
O seminário integra o projeto especial de qualificação de participação da mulher no mundo do trabalho, que considera a agricultura familiar não como um sistema agrário, mas como um sistema de atividade agrícola. “Esse é um diferencial que insere e quantifica o trabalho doméstico como um subsistema, para o desenvolvimentos de ações afirmativas de valorização das mulheres”, define a coordenadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (Neim/Ufba), Cecília Sardenberg. Para ela, a agricultura deve valorizar o trabalho da mulher, sobretudo o doméstico, na composição da renda e nas estratégias de reprodução da organização agrícola familiar.
Estiveram presentes no encontro, representantes dos ministérios do Desenvolvimento Agrário (MDA) e Trabalho e Emprego (MTE), as secretarias de Agricultura (Seagri), do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), de Ciência e Tecnologia (Secti) e de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes), além do Incra, MST e entidades ligadas ao segmento.
A Seagri esteve representada no evento pelo superintendente de Agricultura Familiar, Ailton Florêncio, que apresentou o conjunto de programas formulados pela Superintendência de Agricultura Familiar (Suaf). “O serviço de assistência técnica e extensão rural deve se relacionar de maneira cotidiana com o agricultor, agregando elementos aos programas públicos estaduais e nacionais”, disse Florêncio.
Entre os avanços apontados na participação feminina no campo, ele cita a composição dos Colegiados Territoriais, preenchidos por 50% de mulheres e 50% de homens. O superintendente destacou a criação do Uniater, programa da Seagri que vai beneficiar 600 mil pequenos agricultores assistidos tecnicamente e que tem como meta elevar a renda média das propriedades familiares. Serão R$ 700 milhões aplicados em crédito rural do Pronaf por ano.
A metodologia do Projeto Especial de Qualificação foi desenvolvida nos assentamentos rurais Nova Suíça e Bela Vista (Bahia); José Ribamar (Sergipe) e Eldorado dos Carajás (Alagoas), em conjunto com lideranças, famílias e mulheres assentadas, além de técnicos de organizações governamentais e movimentos sociais. A iniciativa é resultado do convênio entre a Rede Feminista Norte e Nordeste de Estudos sobre Mulher e Relações de Gênero (Redor) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), através da Secretaria de Políticas Públicas e Emprego.